quarta-feira, 9 de julho de 2008
terça-feira, 8 de julho de 2008
Sobre o que é tudo...
Sonhos a partir de palavras
ou
palavras a partir de sonhos?
Por aqui se tem
sonhos a (re)partir
e palavras partindo de mim
(se) jogando em conversa fora...
Palavras a partir sonhos
à parte e alheios
Alhures de mim
e algures de que(m) anseio encontrar
Em parte,
eu sonho com as palavras que escrevem o começo
(e com os sonhos que se inscrevem desde o começo)
quarta-feira, 4 de junho de 2008
quarta-feira, 14 de maio de 2008
O que é um dia
Em meio a tantos anos?
O que é uma palavra
Em meio a tantos versos?
Dentre tantos poemas
De tantos poetas
O que é uma gota d’água
Em meio a essa tempestade?
Meu vício em minha vida viciada
Minha mania em insistir
Ou não ter forças para dar cabo
Ao que me consome para sobreviver
Como se meus sonhos fossem matéria prima
Para a realidade que eu (já) não vivo
A letra inconstante
Para a poesia de um instante
É o meu surto
Permutando meus eus
E minhas realidades
São os excessos de quem
Não se vê com mais nada
E não acha o bastante ter a si mesmo
A chuva
Uma insignificante gota d’água
Que se nega desprezível
Quando não sozinha
Do céu à sargeta
Das nuvens à lama
Esses são dias de tempestade
O que é uma vida a menos
Se essa não soma mais?
O que é uma vida
Quando se é imortal?
domingo, 11 de maio de 2008
Todos os dias
me vejo presa
em palavras soltas
“Abra os olhos e volte”
Enquanto as coisas findam
muito mais que lindas
estas ficarão
escreverei apenas às palavras esquecidas
cantarei apenas os versos mudos
entre o pouco e o quase nada
fragmentos de vida
em histórias inteiras
tramas complexas
personagens vazios
com toda a profundidade
do que só tangencia a superfície
mulheres eu vivi
enquanto criava em mim, minha reinvenção
eu me via em um poema por dia
e me fazia refém de meu desejo por liberdade
até me descobrir vazia
a essência como uma
versão da aparência
a sinestesia na relação
música e poesia
vida em versos
o colorido no silêncio
com a polifonia do escuro
a ausência deixa espaço
para mais versos
os dias sempre acabam
em reticências...
terça-feira, 6 de maio de 2008
Meta-auto-biografia
São só ranhuras
Rupturas no som
O espaço entre uma palavra
e a outra
não são as entrelinhas
a música vem no hiato
entre um verso e outro
a palavra cria espaço(s)
na música
para se fazer ouvida
O tom e a cor dessa música
Desses dias
no fortuito e inefável
caminho de volta para casa
Agora olho nos meus olhos
e vejo dos dias que quero
para toda a vida
o pedaço que falta
no vazio
de lacunas e espaços
A falta que me permite
ser inteiro
e ser pleno
domingo, 4 de maio de 2008
Do escambo ao câmbio
Quando o não é ilusão
sua leitura dos meus textos
minha leitura do seu (seu) contexto
eu digo não ao seu sim
na margem do não
à margem do sim
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Eu sei
eu lembro
e nem esqueço
Faz tanto tempo
tinha tanta coisa
agora pouco espaço
mas há muitas lacunas
Um dia vai que eu aprendo
(e sinto que esse dia passou)
Hoje eu sei e até (me) acredito
e não ouso fugir e nem (me)escondo
já não sei mais fingir que não vejo
inefável, agora faço das palavras abrigo
quando o silêncio é o que sobra como opção
segunda-feira, 14 de abril de 2008
teria sentido maior
do que
se não tivesse sentido
ter?
tive esse sentimento
de que ia sem ter ido
sem ter o sentir que
não passa dos sentidos
mas sinto e muito
pelo que me transborda
algo mais, à mais e há mais
do que me alimenta e me consome
e que não carece de sentido
o maior segredo
em um livro aberto
com textos
prontos para ser(mos) escritos?
Esse mistério transparente
e ainda assim
se nega o não
e ainda há sim
pro invisível aos olhos
é o meu verso
na sua estrofe
São suas palavras
na minha boca
São seus sentidos
nos meus sentimentos
que se vertem em palavras
em (com)textos que rasgam
o silêncio
Sonhei que havia sonhado
que estava acordado
que você me queria
por um instante
que resvalava por toda a vida
domingo, 30 de março de 2008
A vida (me) amanhece
E se insiste em um arco íris
Sob um caleidoscópio
Com luzes e sem sombras
Hoje empresto minhas cores
Ao adjetivo feliz
Imagina, eu?
Já se pensou o tamanho desse passo?
Eu que passo por cima
Passo pra trás
Passo o passado e
Agora reinvento o(s) futuro(s)?
Eu sonho com as cores que invento
E tenho a cor que aos olhos
Traz a transparência que só a alma tem
Eu insisto em surpreender o meu destino
Deixando meus fardos fadados ao fracasso...
Não fique pela metade
Sou o último e o primeiro
metade pra mim é o dobro do inteiro!
Sou de exageros
e me alimento de meus excessos,
sou plural e vivo das hipérboles dos meus dias
Eu comi as vísceras dos meus medos
reinventei o meu passado e
crio neologismos para o meu futuro...
O meio termo é só a metade dos meus desejos mais fracos...
Felicidade de fabricação própria
(e ouso escrever à duas mãos)
sábado, 22 de março de 2008
Menos seria suficiente
Sinto por hoje
E às vezes não só por hoje
E às vezes, não só às vezes...
Sinto muito o que é sentir
A essência do quase
De se conseguir o hardware
E não ter o software
Ou o contrário,
não importa a diferença
Ou a indiferença
A máquina já estava parada.
Mas, sou movimento
Sou mais
(sôo mais)
Meu canto em silêncio
Denota indiferença ao olhar de relance
E exibe toda a conotação implícita
Aos olhos que insistem em retinas
O diálogo com as entrelinhas
são para os que ouvem estrelinhas
o sentido desses textos
são um espelho de quem lê
e quem me olha assim
não me lê assim
sou livro aberto
com páginas em branco
esquecer é digerir o tempo
ruminando a vida
e abrindo as portas para
o Criar
(a minha forma de dirigir o tempo)
Nos meus versos me faço imortal
(no instante em que sou lido)
O nosso agora
É posterior ao hoje...
quarta-feira, 19 de março de 2008
Não sou capaz de responder
Por mim mesmo como futuro
Talvez recrie o que me foi passado
Para trás
Como um sonho
Que não se sonha acordado
Talvez releve e me torne leve
Leve o bastante
Para que meu futuro
Não me condene
Ao passado
Eu, que outrora fora a gota d’água
À agora de fora
Uma gota d’água
No leito (de morte)
De um rio
Que só tem fim
Quando vira mar
Quando vir ao mar
(quando vir a amar)
O que encontrou fim
À quem se encontrou no Fim
A abertura ao incerto
A reinvenção do novo
A queda livre que me ensinou a voar
O livro em branco que me faz escrever
As coisas sem direção
Mas com todo sentido (e sentimento) do mundo
Visto em escala de cinza
Com poemas monocromáticos
Todas as palavras para traduzir
O preto e o branco...
Uma sombra
E um pensamento...
domingo, 9 de março de 2008
Não, não é.
Não, não há.
A fala recorrente
As palavras concorrentes
(E as vidas paralelas)
Nosso encontro só demanda o infinito
E uma vida só não cabe
Eu não quero (o) mais
Cem páginas em branco nesse livro
De textos sem títulos
versos sem rima
poemas sem poesia
olhares sem sorrisos
É a sua parte na história
É a parte que se segue
à parte da história
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Epígrafe do epílogo desses dias
Agora eu sabia o que era onipresença
Em cada milésimo de segundo
Em cada milímetro de espaço
(eu só sabia o que era falta
E o que me era a falta)
E daqui só se via ausência
Um novo mundo cheio de espaços (e)
Vazios
O vazio que era onipresente
E como isso era tudo,
Agora eu sabia o que era onisciência...
E nada mais poderia ser feito
Tudo já havia sido dito
Para algumas vezes até refeito
Eu poderia fazer qualquer coisa
Uma vez que não havia mais nada a fazer
Agora eu sabia o que era onipotência...
Eu já ia tão além de mim
Que já havia me tornado a mudança em si
Que me conduzia sempre a uma nova pessoa
(já havia superado tanto minhas super-ações)
Havia me superado tanto em me ser eu mesmo
E de tantas mudanças,
Eu já era nômade dos meus dias
(e às vezes quase retirante da minha vida)
As mudanças em silêncio
Que dividi comigo aquilo que partia
(e me partia)
Em dois
Desse parto
Fórceps
Para essa
Vida parte dois
“Certos dias têm cara de vida inteira...”
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Subterfúgio (Sub- refúgio)
O mesmo papel a
Um novo personagem
A mesma fala para outra pessoa
Um dia fora
Meus sonhos ao encontro
Do seu conto de fadas
Eu mudei meu nome
Eu mudei o (meu) mundo
Mudei meu endereço, mudei esses dias
Depois que minha Vida mudou de mim
Longe de mim a escravidão
Do desejo de ser feliz
Viver é a grande superação de ser eu mesmo
Eu passo à limpo
Cada uma de suas linhas tortas
(e me escrevo em minhas entrelinhas)
O medo de sofrer
Que você chama de
Desejo de ser feliz
O medo da Solidão
Que você chama de paixão
O medo de amar
Que você chama de liberdade
Eu abdico dessa saudade
Por algumas páginas em branco no meu livro
Eu vendo as brigas gratuitas
Que comprei outrora
São meus sonhos
De encontro ao
Seu conto de fadas
...
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Neutro artesanato de vida (Ou Neutro Artesão nato de vida)
À procura de um novo vício,
de uma nova idéia
de um novo motivo
para me tirar o son(h)o
à espera de um milagre
de um sinal
Atrás de um sorriso
de um olhar
Cantando (a vida) em outro tom
e desafinando e desafiando
e definhando o sonho
Alheio
à busca da felicidade...
domingo, 17 de fevereiro de 2008
A entrada para a estrada mais estranha de minhas entranhas...
Quase se coloca tudo a perder
E por quase nada
Quase se morre por isso
(e quase se vive sem isso)
Não é mais crise de abstinência
Agora há só abstenção
De tão vazio que não sobra espaço
Para criar versos
Ou versões para mesma canção
Com outro ritmo
Em outra harmonia
Não é mais uma ponta solta
Há uma ponta que se solta...
Igual a tudo na vida
Pensando no arquiteto desses dias, dessa vida (Parte Dois) encontraria um Almodóbar brincando de Woody Allen. A idéia de ser ator do seu próprio filme não é de agora, mas a inércia(Ah, a inércia...) é talvez mais forte que a força que deu origem ao movimento.
Pós-carnaval, fim de férias, fim de grana, fim de livro, começo de leitura... entre o fundo do poço e o fundíssimo do poço há alguns centímetros, sonhos, recordações e frustrações. Longe de mim o exercício de outrora em que toda dor tinha espaço para se testar forças. (Quem foge vive para lutar de novo.) Se “o que não me mata, me fortalece”, o que me fortalece me mata aos poucos. Segue o texto desconexo como metonímia ou amostragem ou alusão de algo que poderia ser sintetizado como sincero. (Quisera eu não ter desaprendido a conjugação do verbo mentir).
Devagar e sempre para esse credor sádico que finaliza minhas páginas, mas teu texto não cessa. Flui pelas brechas entre um pensamento e uma lembrança de um futuro que já se havia cantado no passado. Algumas canções de outros tempos agora em outro tom. No dia em que serão “retocadas” e caminharão de mãos dadas com as palavras quero estar na metade do caminho e não mais no meio do caminho, porque no meio do caminho tinha uma pedra e nem de caminhar sobre as pedras eu gosto.
Vamos ter lugar pros versos quando desocuparem esse espaço. Inquilino que vai embora e deixa a mobília sem saber como são feitas as fogueiras de São João. (ops, mas eu sou devoto é de São Francisco Buarque).
Estou reescrevendo meu passado, transcrevendo a prosa para versos, andando devagar porque já (me) perdi (com) a pressa e o meu verso não tem pressa, é expresso e só expressa...
