sábado, 1 de abril de 2017

Guimme shelter




Aos refugiados...




Anseio, receio
um rosto colado ao seio
Angústia, degusta
o gosto salgado do beijo
Palavras doces antes que eu fosse
além do fruto proibido
e do desejo reprimido
nesse Éden invertido
Para além das nossas fronteiras
a guerra está “apenas a um tiro de distância”




Trocaram as janelas por espelhos
e há quem crie um infinito em si mesmo
com grandes mudanças e revoluções em segredo
O silêncio é a medida do mistério
em narrativas com espaço pra quase tudo,
mas se diz quase nada
Nas lacunas das possibilidades
do que podemos fazer
se sonha acordado com o futuro
e se fecha os olhos para o presente
onde os meios de se dizer algo
se confundem com os lugares de fala
e abundam videntes do passado
e historiadores do futuro






A dor alheia é estrangeira
refugiada e sem abrigo
refugada sem amigos
regurgitada em castigo
Espaço estranho
invisível até o instante
que incomoda e ameaça
Traz o medo e atrai o Não
O interdito em um novo país
a ser invadido por órfãos
sem paz, pátria, pais ou raiz
A guerra é um bilhete só de ida
à miséria
E nem todas as batalhas são travadas
do lado esquerdo do peito
Para alguém em nossa fronteira
“apenas a um beijo de distância”











quarta-feira, 29 de março de 2017





Que a distância não seja
maior que a saudade
Que o desejo de estar próximo
ultrapasse as razões de se estar distante
Que as palavras sejam mais
que uma releitura do vivido
Que a vida supere a expectativa
dos maiores desejos
Que as dúvidas nos alimentem
nas caminhadas
que as verdades
não sejam mais que utopias
Que a aparência seja
realmente a superfície
que as embalagens
sejam mesmo descartáveis
e que a forma
não ocupe o conteúdo


Que os sorrisos
sejam mais sinceros que frequentes
e que toda essa ausência
seja perdoada
e que esses versos transpareçam
sua essência feita de uma saudade guardada
daquelas que nunca se foram
e sempre vieram