terça-feira, 20 de abril de 2010

Da minha espécie em extinção...

“A insônia é um sonho que não acaba”?


     A insônia é um dispositivo criado pela escrita para vir ao mundo? A insônia é a cara metade da solidão? Os quartos escuros estão cheios de quais vazios? Das alcovas dos que escrevem, das cabeças cheias e corações vazios de outrora, haveria, à revelia, alguma epifania nisso?
     Drogas para dormir, drogas para ficar acordado, drogas para ficar legal, drogas para parar de tomar drogas, a solução para as drogas da vida cabe em um comprimido? (A alegria e os sorrisos podem ser comprimidos?) A vida em um apartamento, o medo protegido por grades, as pequenas pessoas e suas grandes cidades com idéias de concreto e afetos virtuais, e de mais quantas formas o medo se vale e se passa por violência, egoísmo e fantasia?
     Quanto vale a vida, abortada ou sintetizada, emulada? Esse “The Sims” que jogamos off line, onde estão as vozes acapella orgânicas cultivadas no deserto (e/ou em alto mar) longe dos “fast foods” e “fast fucks”, da vida sintetizada pelos MAC Donald’s e pelos MACintosh?
     Ah, minha espécie em extinção... à minha espécie em extinção,  que(m) resta de nós mesmos? Um chamado, uma chamada telefônica, um grito de socorro, um sinal de fumaça, um sms, um MSN, um código Morse, um pombo correio, um telefonema, um telegrama, um email, uma carta, uma mensagem numa garrafa ao mar, um olhar, um som, um sim, uma entrelinha...




7 comentários:

  1. Me indentifiquei... Nem sei o motivo. (risos)

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  2. Belíssimo e angustiante texto!
    "...e agum remédio q. me dê alegria..."

    Contra a insônia,algumas receitas: Tv dá sono, suco de maracujá,a sorte de um amor tranquilo, drogas não receitaria pq seu juízo me parece pouco(vai desculpando a intimidade),enciclopédias,contar carneirinhos.Se não funcionarem,aproveita pra escrever bons textos assim...

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  3. Acho que de insônias já tenho doutorado. Infelizmente a ociosidade me ensinou a escrever sob a pouca luz da madrugada...
    Mude seu horário biológico, ou junte-se ao time

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  4. Eita...vai desculpando a interpretação literal,sem captar entrelinhas.

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  5. De insônia eu bem entendo... A cabeça feito um turbilhão pensando em tudo e em nada. Repassando situações que já ocorreram, como se fosse possível ensaiar e encenar a mesma no dia seguinte, assim que a cortina se abrir. O problema é que a vida é uma peça de um ato só. E em apresentação única.

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  6. Tomando emprestada a ideia do comentário acima: Me identifiquei. Muito. E sei o motivo. Ótimo texto, sr. Subliminário. rs

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  7. "um discurso sublime,
    uma palavra sublime,
    um discurso subliminar
    Entre as sombras
    Entre as sobras
    Da nossa escassez..."

    Gessinger

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Rupturas no silêncio...