domingo, 21 de março de 2010

Da indiferença II




Não tem o que dizer
e insiste em não ouvir
o que haveria a falar
Só o silêncio importa
Qualquer palavra é um atentado
à solidão do silêncio
A escrita deve ficar
em silêncio, em gavetas,
escondidas em velhos cadernos
A história já nasceu póstuma
Deixemos que os necrófilos a registrem
enquanto nós a escrevemos



Há um segredo a ser silenciado
contá-lo é assassiná-lo
Deixe que morra a curiosidade
e floresça a indiferença
do lado esquerdo de cada peito
escondido no canto escuro de cada quarto





6 comentários:

  1. ... parece q. comentar este contudente escrito é negá-lo,mas a mim leitora restam as entrelinhas,próprias da minha imaginação, de q. ele pode ser um apelo,não uma negação.

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  2. Gostei muito do texto, principalmente da última parte. Parabéns pelo blog!

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  3. O lado esquerdo do meu peito guarda tantos segredos, uns tão vivos ainda, outros mortos há tempos.

    Teu texto mexe comigo de um jeito que eu não sei te dizer, basta eu ler para ir longe em meus pensamentos e interprestações dos teus escritos...
    abraço
    =]

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  4. Mas quem sente muito, cala;
    Quem quer dizer quanto sente
    Fica sem alma nem fala,
    Fica só, inteiramente!
    (Fernando Pessoa)
    lembrei destes versinhos...

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  5. Eu confesso que adoraria desenhar uma melodia sobre as coisas que escrevo, e não digo isso no sentido poético. Digo transformar em música mesmo. Mas por uma falta de talento (honestamente e frustradamente) não consigo fazer isso. Comecei a escrever porque não sabia fazer música...
    Você como músico, se vir melodia em algumas das minhas palavras, me daria um enorme presente em transformá-las assim.
    E se tiver canções suas, eu adoraria ouvir também.

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Rupturas no silêncio...