domingo, 18 de janeiro de 2009

Menos para mim é mais...



     Menos para mim é mais. Eu sei que pode soar como discurso que se coloca fazendo apologia à mediocridade, mas não. Mesmo que seja, não mudarei minha fala por receio em parecer ridículo.

     Falo que menos para mim é mais, quando afirmo o quanto não preciso pactuar com muitos dos imperativos que tentam coagir muitos dos nossos dias. Não cabe aqui ( e eu não quero e não vou caber) em um amor para toda a vida. Não precisa ser eterno se ele conseguir ser intenso e sincero. Eu não quero um amor para a eternidade. Se algum livro que eu não li assim o disse e eu pareci ter assinado embaixo, equívoco de quem por ventura acho que assim me viu. Não quero um amor eterno, menos! Para mim, basta que seja terno , simples, sincero e leve. Não quero um amor para toda a vida, quero o amor para toda a vida. Sem precisar de testemunhas para selar união, menos! Para o amor que almejo só é preciso mais um cúmplice.

     Quando sigo dizendo que menos para mim é mais, é quando digo que não preciso de um rodízio para me sentir saciado. Uma boa refeição não é quando como o máximo que posso ou quando como o mínimo de calorias possível. Eu não sou escravo do meu corpo, se há algum credor que seja o meu desejo e deixemos que o meus desejos desejo eu!

     Não se trata de repressão, mas sim uma outra forma de expressão. Uma forma singular de expressar coisas plurais. É sentir  se bem por estar aqui. Sem lamentar por estar aquém ou por não estar além. Nem antes e nem depois, apenas agora. E isso já me é tanta coisa...

     Menos é mais quando abdico do referencial estético exterior, alheio e coercitivo pré-fabricado pelos meios que não chegam aos meus fins. Eu me apaixono pela garota da contra-capa! Não é o que me disseram ser belo, é o que meus olhos me dizem ser belo e o que meu coração concorda. Sinceramente, eu costumo dar novos sentidos aos  meus sentidos. Eu  sinto o gosto de sons, eu cheiro cores, eu vejo vozes... Minhas descrições são impossíveis de acordarem com alguma verossimilhança. É preciso que alguém veja por meus olhos para entender o que quero dizer quando falo que determinada cor é vermelha. São tantas cores que emitem tantos sons e cheiros que dizer que é colorido é pouco, só sei que não é (mais) monocromático.

     Menos para mim é mais por não caber em meus dias a idéia de que a embalagem define a escolha do produto. Eu não cometeria o mesmo erro duas vezes, na hipótese de comprar um produto sem a qualidade almejada, mas com uma embalagem convincente. Não há aqui a hipocrisia de negar que a beleza não se constitui como um dos fundamentos. Indubitavelmente, é! No entanto, as pessoas mais belas que conheci reinventaram, expandiram, resignificaram o campo semântico da palavra belo. Encontraram tantas outras formas de se fazerem bonitas que até o espelho reconsidera o que vai refletir por encontrar tantas faces de tantas belezas em mais um rosto belo. Há ainda a margem para possibilidade de quem faça apologia de que a beleza física é o que chama atenção no primeiro instante. Pode até ser preponderante para chamar os primeiros olhares de uma atenção perdida, mas não é determinante para prendê-la ou apreendê-la. Essa beleza (física) pode até ser párea para manter uma relação, mas tenho minhas dúvidas se ela por si só mantêm um relacionamento.

     Menos para mim é mais quando chega a um ponto que cansa, um ponto na vida em que não preciso estar sorrindo para estar feliz, em que minha alegria não precisa ser gritada para ser gritante. Menos para mim é mais, sou preto no branco, café com leite e feijão com arroz.

 

 

 



P S- Sountrack: Jeff Buckley 



2 comentários:

  1. Muito bom!
    Comecei a repensar se eu busco mais ou menos das coisas...
    Quando descobrir eu te conto!

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  2. tu é hippie e eu não sabia!
    e também nem sabia que tu ainda escutava Jeff Buckley... escuta Brandi Carlile (conheci numa propaganda de cerveja lá de Portugal), a voz dela me lembra demais ele. Beeeijo!

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Rupturas no silêncio...