domingo, 12 de outubro de 2008



Tão frágil e belo

Quanto a vida

Incerto e vago

Como um sim em silêncio

Constrói teus dias

Na companhia de si mesmo

Verso sem estrofe

Dívidas sem credor

Dúvidas sem resposta

Vítimas sem algozes


 

A vida tem cheiro de outubro

Depois de um ano chego à primeira página

De um livro

Até a morte tem vida útil

Páginas em branco

À meia luz


 

Esperança é o que faz do amanhã

O nosso único presente

Que o essencial chegue à superfície

Levando em conta

O contexto dessas imagens

E a textura dessas palavras

A cor do amor

O cheiro do silêncio

Os sons do escuro


 

Às vezes as noites têm

O cheiro do amanhã

A beleza que reside em seu olhar

As minhas frases sem sentido

E com destino

 

 

As cores têm o cheiro de manhã

Os dias (ainda) têm o gosto

Dos seus lábios

A vida conjuga os verbos

E nós nos escrevemos no plural


 

Das cores de nossas músicas

Pintamos esses versos

Sou metade de você

Que vai tomando parte e partido de mim


 

(Eu tenho um violão

E você as canções)

Eu sou verso

Você melodia

Eu sou suas cores

Você,

Meus dias...



Um comentário:

  1. Que lindo!
    Uma mistura de sensações. Cores, sons, tempo...
    Adorei!

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Rupturas no silêncio...