domingo, 6 de maio de 2018

Do que finca e finda...





O que segue de quem fica
o perdido no meio do caminho
quando se encontra o seu lugar
a lacuna entre o que eu queria ser
e aquilo que sou
o abismo do futuro de ontem
ao que foi passado agora





Aquele texto, naquele email, daquele verso
a mesma coisa (inter)dita de tantas formas
e maldita várias vezes
Talvez o amor seja mesmo uma sinfonia
de silêncios e vazios
num consenso para instrumentos diferentes
tocarem a mesma nota
Consonantes de uma forma ímpar
convergindo para o mesmo ponto de fuga
em mais uma esquina entre a distância
e o que fica de quem me segue






sexta-feira, 2 de março de 2018







Da arte de se tornar o que se é
de se permitir não ser mais o homem do passado
de fazer valer(-se) mais (em) cada silêncio
e prescindir mais das palavras


Deixar vir à tona e não mais ir à toa

De quem eu era
àquele que eu quero ser
as lacunas, os hiatos, as distâncias
os vazios que tentei preencher
hoje memórias vazias
vagas, desbotadas de um passado
de alguém
a se esquecer


Desatando os nós
amarrando as pontas soltas
Muito tarde para um café
e muito cedo para um vinho
O sol se pôs para você
mas me acompanha até o limite do meu desejo
alguns quilômetros, alguns anos
algumas palavras
Distâncias já são maiores que a saudade


O sol se pondo
como um ponto final
A noite se impondo
como uma próxima página
A noite que vence o medo
de se estar sozinho
à noite vem sem medo
de ficar comigo
Deixando as dúvidas por dívidas
com essa história
de uma noite
ou de uma vida




sábado, 20 de janeiro de 2018




Alguns poemas seguiram
alheios a este caderno
e além de qualquer registro
ou tentativa de cercá-los
e fazê-los cair no papel
ou na tela anônima de algum leitor


Será que se perde a poesia em mim
ou eu que me perco e a deixo ter fim?
Será que peco por não saber se o pecado
é algo certo ou errado?
Ou se no caminho em que me encontro hoje
não é mais do mesmo em que me perdi ontem?
Será que os afetos dos mais distantes
são os que mais me faltam
no cotidiano com tantas vozes
que nada me falam
(e às vezes me calam)



Teria eu pelo avesso
criado o espaço
para que longe
fosse só uma palavra
Vazia de significado
para que nela coubessem tantos sentidos

A distância que nos une
no silêncio rompido por um verso
um pensamento perdido
de um sentimento incerto
uma ideia vaga
uma saudade incerta e dispersa
menos do que foi
e mais do que poderia ter sido


Alguns anos passaram
por essas páginas
fragmentos de histórias
que eu vivi ou inventei
ou inventei de viver
personagens meus
 disfarçados de alheios
com sentimentos impossíveis
de acontecer em mim
na ausência dessas folhas em branco












sábado, 20 de maio de 2017





Me acolhe
e escolhe ao meu lado
como abrigo
tu comigo, eu contigo
eu consigo
ser mais que ontem
e ser por inteiro
ser meio a meio
metade minha em ti
e outra metade por ti





Me escolhe
e acolhe
do teu lado
esse amigo
contigo eu consigo ser mais
que o vazio que me habitava
em meio aos dias
antes de ti






terça-feira, 25 de abril de 2017





Um gesto, um sorriso
um olhar, uma ideia
tudo aquilo que antecede
a palavra



um risco na folha
um rabisco num quadro
um click, uma face sem rosto
um selfie, cem posts
tudo aquilo a que padece
a imagem



uma distância, um sonho
um pacto, uma escolha
uma saudade entre grades
e tudo aquilo a que não cede
o desejo




sábado, 1 de abril de 2017

Guimme shelter




Aos refugiados...




Anseio, receio
um rosto colado ao seio
Angústia, degusta
o gosto salgado do beijo
Palavras doces antes que eu fosse
além do fruto proibido
e do desejo reprimido
nesse Éden invertido
Para além das nossas fronteiras
a guerra está “apenas a um tiro de distância”




Trocaram as janelas por espelhos
e há quem crie um infinito em si mesmo
com grandes mudanças e revoluções em segredo
O silêncio é a medida do mistério
em narrativas com espaço pra quase tudo,
mas se diz quase nada
Nas lacunas das possibilidades
do que podemos fazer
se sonha acordado com o futuro
e se fecha os olhos para o presente
onde os meios de se dizer algo
se confundem com os lugares de fala
e abundam videntes do passado
e historiadores do futuro






A dor alheia é estrangeira
refugiada e sem abrigo
refugada sem amigos
regurgitada em castigo
Espaço estranho
invisível até o instante
que incomoda e ameaça
Traz o medo e atrai o Não
O interdito em um novo país
a ser invadido por órfãos
sem paz, pátria, pais ou raiz
A guerra é um bilhete só de ida
à miséria
E nem todas as batalhas são travadas
do lado esquerdo do peito
Para alguém em nossa fronteira
“apenas a um beijo de distância”











quarta-feira, 29 de março de 2017





Que a distância não seja
maior que a saudade
Que o desejo de estar próximo
ultrapasse as razões de se estar distante
Que as palavras sejam mais
que uma releitura do vivido
Que a vida supere a expectativa
dos maiores desejos
Que as dúvidas nos alimentem
nas caminhadas
que as verdades
não sejam mais que utopias
Que a aparência seja
realmente a superfície
que as embalagens
sejam mesmo descartáveis
e que a forma
não ocupe o conteúdo


Que os sorrisos
sejam mais sinceros que frequentes
e que toda essa ausência
seja perdoada
e que esses versos transpareçam
sua essência feita de uma saudade guardada
daquelas que nunca se foram
e sempre vieram






segunda-feira, 26 de setembro de 2016




A solidão dos poetas
travestida de musa
numa inspiração de ideias
expiradas em verso




Invento algum tempo
para esse exercício de liberdade
onde a única pressão
cabe à caneta sobre o papel
sem pressa, sem prazo a expirar
aqui o desejo não prescreve
nada se cria
nada se perde
tudo se transforma





Como uma dívida com a história
não contada ou não vivida
segue a vida
inventando poesias
que quando não seguidas
em um caminho só de ida
restam em dúvidas
e coisas que nada somariam
mas sumiriam na memória
de um medo
nunca consumado
e que ainda nos consumiria





segunda-feira, 18 de julho de 2016

Silêncios, distâncias, exílios, vacâncias...








Assim como na música
silêncios e pausas
espaços e intervalos
entre as letras
para que se formem palavras
entre as palavras
para que se formem estrofes
e entre nós
para que se (trans)formem as saudades








domingo, 13 de setembro de 2015





Alguns poemas seguiram
alheios a este caderno
e além de qualquer registro
ou tentativa de cercá-los
e fazê-los cair no papel
ou na tela anônima de algum leitor




Alguns anos passaram
por essas páginas
fragmentos de histórias
que eu vivi ou inventei
ou inventei de viver
personagens meus
 disfarçados de alheios
com sentimentos impossíveis
de acontecer em mim
na ausência dessas folhas em branco







domingo, 23 de agosto de 2015






Perde-se um pouco de mim
à cada linha
como se eu me esgotasse enfim
 as histórias interditas
por fim, o mundo real me sufocaria
ou já não havia palavra a ser escrita
que ainda não fora dita


Entre os espaços e o vazio
havia um abismo
um livro inteiro de narrativas de entrelinhas
Outrora uma lacuna a ser preenchida
a uma ausência que me consumiria



Um fragmento de otimismo
me trazia a ideia
de que o silêncio é matéria-prima da palavra
e ao final dessa pausa
se faria um ponto e vírgula
Afinal, insistir em um ponto final
por três vezes é continuar


às reticências, reminiscências,
 e florescências
como um neologismo
para a vida











domingo, 7 de junho de 2015



O silêncio
é a carta de alforria
da palavra








O filho que ainda não tive
por minha força ainda ser
menor que o meu desejo





O tempo traz para o imperativo
quaisquer escolhas ou ideias que
um dia teria
O artigo sufoca o verso
o dever supera o devir
da palavra
que ganha de empréstimo o silêncio





Sou a mulher que me restou ser
o sonho de outrora me traiu
enquanto eu sonhava que era verdade






quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Dos dias que desaguam em chuva…






     A chuva como lágrimas de quem se inunda na lama do lixo do descaso é a mesma água que lava a alma de quem vive a seca? Eu como tradutor do óbvio, não me repreendo em decretar-me feriado quando chove. Sou uma pessoa de poucas alegrias e de onde venho a chuva ainda é um evento. Quando chove para tudo, como se chover não fosse impessoal, mas sim um momento de comunhão de um bem estar travestido de preguiça com a contemplação dos pingos de água que já não fingem ser dor ou mágoa. Talvez até lágrimas de uma coletividade que transborda alegria só do prenúncio de chuva percebido quando se avista o “tempo bonito pra chover”. Sou do Ceará, por esses tempos quase Saara, mas nesta seara de nascenças e transcendências, quiçá quis minha vida que minhas raízes estivessem no ar. Talvez por assim ser um modo de esta muda de si mesmo se fixar em qualquer lugar e não se prender em nenhum lar. De qualquer forma, carrego em mim o afeto por esses dias em que a ausência solar faz um feriado na Terra do Sol.








sábado, 6 de dezembro de 2014




E veio no impacto
de quem me invade desde o primeiro instante
No meio do meu caminho
e meio que do nada
na mesma direção
prescindindo de sentido
Se coloca num imperativo
que não me permite evitá-la
Bateu e ficou
fincou em mim
uma dúvida sobre aquela palavra
que ecoava e rompia o silêncio em mim




Ela
pegara um atalho
e encontrava um acesso
para me roubar o sono
e me furtar a calma
Enquanto eu me via refém
e não concebia ser possível o contrário
me deixando sem saída
à cada passo num caminho só de ida
em que eu me perco e pergunto:
-Qual a porta de entrada para sua vida?




Talvez eu seja apenas
mais um figurante na sua história
que ousou encarar a câmera
entregando e denunciando uma vontade
de ir além
da esquina do medo e da incerteza
permitir que floresça um sim
dessa “flor do medo”
que me joga
à espera que me desespera
e exaspera a expectativa
de que seja ela
um pedaço de mim








quinta-feira, 17 de julho de 2014









Um olho que treme
como se represasse uma lágrima
como se escondesse um segredo
como se a saudade transbordasse em silêncio
como se a distância me fizesse esquecer que
para cada noite em claro
há um sonho que se apaga
cada folha em branco
é um poema abortado
cada dia distante é uma lacuna
uma esquina entre o vazio e o nada
(...)


(-Para boa felicidade
meio sorriso basta)














terça-feira, 17 de junho de 2014









Eu já perco
o meu desejo em desejar



Quando me afasto
do rebanho de erros
dos que pedem perdão ao nada
e são sempre absolvidos










domingo, 18 de maio de 2014

                




                   A voz do povo

                  É a voz de Deus:

                 Libertem Barrabás!

















quinta-feira, 17 de abril de 2014










A mudança é a única constante
mas o novo de novo é sempre o mesmo
Nessa busca vinda de um desejo alheio
de ser eu mesmo
me perco nas tentativas de me encontrar
Como se as histórias sem fim
fossem um fim em si mesmo











terça-feira, 1 de abril de 2014





Eu sigo a chuva com meus olhos
palavras agora não me atingem, mas me cercam
e não vou além da lembrança do que poderia ter sido
Eu quase não esqueci seu sorriso
mas já aprendi que um copo é muito raso para afogar mágoas



Há um poema em cada esquina
e amor em cada verso
Há um convite na escrita
e um silêncio em todo o resto



A chuva apressa o pôr do sol
o tempo esfria
o corpo aquece o que a alma esquece
os relógios lembram que já foi tarde
Disparo uma saudade contra as memórias
de quem se fez distante
Lembrá-la é a única forma de revê-la
com uma canção, um verso que ecoa
um fato do cotidiano
 que remeta à saudade mais plural
o destino de quem se perde no desejo de esquecer







quarta-feira, 12 de março de 2014

Belchior me entenderia...




Quero uma bebida amarga
que me roube o sono
Quero uma canção pesada
que me furte o tédio
Quero uma mulher ímpar
que sequestre meus desejos
e me tome de paixão
como nosso resgate
Quero o silêncio mais sólido
que invada minhas idéias mais abstratas
Quero a solidão dos poetas
usurpando todo espaço e lugar
que não me deixe escolha alguma
que não seja estar ao seu lado