A chuva como lágrimas de quem se inunda na lama do
lixo do descaso é a mesma água que lava a alma de quem vive a seca? Eu como
tradutor do óbvio, não me repreendo em decretar-me feriado quando chove. Sou
uma pessoa de poucas alegrias e de onde venho a chuva ainda é um evento. Quando
chove para tudo, como se chover não fosse impessoal, mas sim um momento de
comunhão de um bem estar travestido de preguiça com a contemplação dos pingos
de água que já não fingem ser dor ou mágoa. Talvez até lágrimas de uma
coletividade que transborda alegria só do prenúncio de chuva percebido quando
se avista o “tempo bonito pra chover”. Sou do Ceará, por esses tempos quase
Saara, mas nesta seara de nascenças e transcendências, quiçá quis minha vida
que minhas raízes estivessem no ar. Talvez por assim ser um modo de esta muda
de si mesmo se fixar em qualquer lugar e não se prender em nenhum lar. De
qualquer forma, carrego em mim o afeto por esses dias em que a ausência solar
faz um feriado na Terra do Sol.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
sábado, 6 de dezembro de 2014
E veio no impacto
de quem me invade desde o primeiro instante
No meio do meu caminho
e meio que do nada
na mesma direção
prescindindo de sentido
Se coloca num imperativo
que não me permite evitá-la
Bateu e ficou
fincou em mim
uma dúvida sobre aquela palavra
que ecoava e rompia o silêncio em mim
de quem me invade desde o primeiro instante
No meio do meu caminho
e meio que do nada
na mesma direção
prescindindo de sentido
Se coloca num imperativo
que não me permite evitá-la
Bateu e ficou
fincou em mim
uma dúvida sobre aquela palavra
que ecoava e rompia o silêncio em mim
Ela
pegara um atalho
e encontrava um acesso
para me roubar o sono
e me furtar a calma
Enquanto eu me via refém
e não concebia ser possível o contrário
me deixando sem saída
à cada passo num caminho só de ida
em que eu me perco e pergunto:
-Qual a porta de entrada para sua vida?
Talvez eu seja apenas
mais um figurante na sua história
que ousou encarar a câmera
entregando e denunciando uma vontade
de ir além
da esquina do medo e da incerteza
permitir que floresça um sim
dessa “flor do medo”
que me joga
à espera que me desespera
e exaspera a expectativa
de que seja ela
um pedaço de mim
mais um figurante na sua história
que ousou encarar a câmera
entregando e denunciando uma vontade
de ir além
da esquina do medo e da incerteza
permitir que floresça um sim
dessa “flor do medo”
que me joga
à espera que me desespera
e exaspera a expectativa
de que seja ela
um pedaço de mim
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Um olho que treme
como se represasse uma lágrima
como se escondesse um segredo
como se a saudade transbordasse em silêncio
como se a distância me fizesse esquecer que
para cada noite em claro
há um sonho que se apaga
cada folha em branco
é um poema abortado
cada dia distante é uma lacuna
uma esquina entre o vazio e o nada
(...)
(-Para boa felicidade
meio sorriso basta)
como se represasse uma lágrima
como se escondesse um segredo
como se a saudade transbordasse em silêncio
como se a distância me fizesse esquecer que
para cada noite em claro
há um sonho que se apaga
cada folha em branco
é um poema abortado
cada dia distante é uma lacuna
uma esquina entre o vazio e o nada
(...)
(-Para boa felicidade
meio sorriso basta)
terça-feira, 17 de junho de 2014
quinta-feira, 17 de abril de 2014
terça-feira, 1 de abril de 2014
Eu sigo a chuva com
meus olhos
palavras agora não me atingem, mas me cercam
e não vou além da lembrança do que poderia ter sido
Eu quase não esqueci seu sorriso
mas já aprendi que um copo é muito raso para afogar mágoas
Há um poema em cada esquina
e amor em cada verso
Há um convite na escrita
e um silêncio em todo o resto
A chuva apressa o pôr do sol
o tempo esfria
o corpo aquece o que a alma esquece
os relógios lembram que já foi tarde
Disparo uma saudade contra as memórias
de quem se fez distante
Lembrá-la é a única forma de revê-la
com uma canção, um verso que ecoa
um fato do cotidiano
que remeta à saudade mais plural
o destino de quem se perde no desejo de esquecer
palavras agora não me atingem, mas me cercam
e não vou além da lembrança do que poderia ter sido
Eu quase não esqueci seu sorriso
mas já aprendi que um copo é muito raso para afogar mágoas
Há um poema em cada esquina
e amor em cada verso
Há um convite na escrita
e um silêncio em todo o resto
A chuva apressa o pôr do sol
o tempo esfria
o corpo aquece o que a alma esquece
os relógios lembram que já foi tarde
Disparo uma saudade contra as memórias
de quem se fez distante
Lembrá-la é a única forma de revê-la
com uma canção, um verso que ecoa
um fato do cotidiano
que remeta à saudade mais plural
o destino de quem se perde no desejo de esquecer
quarta-feira, 12 de março de 2014
Belchior me entenderia...
Quero uma bebida amarga
que me roube o sono
Quero uma canção pesada
que me furte o tédio
Quero uma mulher ímpar
que sequestre meus desejos
e me tome de paixão
como nosso resgate
que me roube o sono
Quero uma canção pesada
que me furte o tédio
Quero uma mulher ímpar
que sequestre meus desejos
e me tome de paixão
como nosso resgate
Quero o silêncio mais sólido
que invada minhas idéias mais abstratas
Quero a solidão dos poetas
usurpando todo espaço e lugar
que não me deixe escolha alguma
que não seja estar ao seu lado
que invada minhas idéias mais abstratas
Quero a solidão dos poetas
usurpando todo espaço e lugar
que não me deixe escolha alguma
que não seja estar ao seu lado
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Naquele instante
eu evitava o olhar no espelho
havia alguém a me encarar
que me reconhecia
e eu a desconhecia
Por um instante
eu era o último e o primeiro
e aqueles minutos
me valiam mais que muitas horas
que iam além de alguns anos
Eu não saberia responder
se aquele no espelho
era um outro a viver por mim
ou eu que havia me tornado outra pessoa
eu evitava o olhar no espelho
havia alguém a me encarar
que me reconhecia
e eu a desconhecia
Por um instante
eu era o último e o primeiro
e aqueles minutos
me valiam mais que muitas horas
que iam além de alguns anos
Eu não saberia responder
se aquele no espelho
era um outro a viver por mim
ou eu que havia me tornado outra pessoa
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Fatos sobre a vida
me encantam
Contam por aí
que contra fatos não há argumentos
Mas me contaram uma vez
que não há fatos,
apenas interpretações de fatos
E de fato,
o encantamento
é uma versão que eu crio
das palavras em prosa
que eu leio em verso
E vejo poesia na esquina
do silêncio com a solidão
Em que a saudade se perde
e deixa de ser anseio pelo passado
para ser uma sede pelo futuro
me encantam
Contam por aí
que contra fatos não há argumentos
Mas me contaram uma vez
que não há fatos,
apenas interpretações de fatos
E de fato,
o encantamento
é uma versão que eu crio
das palavras em prosa
que eu leio em verso
E vejo poesia na esquina
do silêncio com a solidão
Em que a saudade se perde
e deixa de ser anseio pelo passado
para ser uma sede pelo futuro
domingo, 24 de novembro de 2013
Poemas morrem à cada estrofe não lida
como amores à primeira vista
morrem à cada olhar não correspondido
Eu me escondo no seu medo de me achar
A palavra certa (repetida)
na hora errada
até ser seu clichê
(até ser só clichê)
No seu faz de conta de sonhar acordado
com o meu pesadelo contido
contado em sons perdidos
buscando dormir como forma de esquecer
ou não lembrar por um instante
da agonia dos versos que procuram melodia
ou da busca de um eu que deseja(va) ser nós
A palavra certa (repetida)
na hora errada
até ser seu clichê
(até ser só clichê)
No seu faz de conta de sonhar acordado
com o meu pesadelo contido
contado em sons perdidos
buscando dormir como forma de esquecer
ou não lembrar por um instante
da agonia dos versos que procuram melodia
ou da busca de um eu que deseja(va) ser nós
Pouco pra mim, basta pra você
segue em silêncio o quase grito
de ironia na piada pronta
no trocadilho calculado
na solidão recheada por
sonhos e demandas alheias
Apenas um capítulo desconexo
páginas a serem limadas na próxima edição
em que se recontará a história
com finais felizes
a memória do vazio ocupará esse espaço
Mais um verso em mais um livro
A memória te trai com a saudade
sabotando seu plano de esquecer
uma frase anônima a romper o silêncio
numa página a ser deixada em branco
segue em silêncio o quase grito
de ironia na piada pronta
no trocadilho calculado
na solidão recheada por
sonhos e demandas alheias
Apenas um capítulo desconexo
páginas a serem limadas na próxima edição
em que se recontará a história
com finais felizes
a memória do vazio ocupará esse espaço
Mais um verso em mais um livro
A memória te trai com a saudade
sabotando seu plano de esquecer
uma frase anônima a romper o silêncio
numa página a ser deixada em branco
sábado, 9 de novembro de 2013
All my loving
Algumas músicas são como pessoas:
ficam com a gente como se fossem nossas e às vezes até começam a parecer conosco...
https://soundcloud.com/vidapartedois/all-my-loving
ficam com a gente como se fossem nossas e às vezes até começam a parecer conosco...
https://soundcloud.com/vidapartedois/all-my-loving
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Você que
leva a sério as minhas piadas
mas não acredita quando eu falo sério
Você que leva pro lado pessoal
o que eu falo sobre o abstrato
E faz de conta que não é com você
quando eu chamo pelo seu nome
Você que não me liga, mas sempre atende
quando eu digo que não foi nada
e você sabe quase tudo
Quando a saudade se perde
na iminência do não
mesmo que eu tenha perdido cada
em que não te arrisquei um sim
quando as possibilidades caminham para o silêncio
E o benefício da dúvida
nutre uma certeza pelo não
Queria ter sido outro em meu passado
queria de volta o meu presente
queria pensar que o futuro
ainda se faria diferente
queria acreditar que a história
seria a mesma com a gente
queria um verso que me narrasse
em uma estória que eu te encontrasse
mas não acredita quando eu falo sério
Você que leva pro lado pessoal
o que eu falo sobre o abstrato
E faz de conta que não é com você
quando eu chamo pelo seu nome
Você que não me liga, mas sempre atende
quando eu digo que não foi nada
e você sabe quase tudo
Quando a saudade se perde
na iminência do não
mesmo que eu tenha perdido cada
em que não te arrisquei um sim
quando as possibilidades caminham para o silêncio
E o benefício da dúvida
nutre uma certeza pelo não
Queria ter sido outro em meu passado
queria de volta o meu presente
queria pensar que o futuro
ainda se faria diferente
queria acreditar que a história
seria a mesma com a gente
queria um verso que me narrasse
em uma estória que eu te encontrasse
sábado, 28 de setembro de 2013
À olho nu
se desnuda a razão
o filtro que esconde o desejo infiltrado
em parecer para ser alguém
que não se é para ter de alguma forma
o que não se pode ter
ou deter consigo
ou reter em si
Ao olho nu
que pouco enxerga
e muito entrega:
da beleza de quem vê
à beleza de quem vem
Os limites dos olhos balizam o olhar
que no escuro cega
mas abre a janela para sentir e tocar
Há um olho nu
e uma nudez no olhar
olho no olho, nu
Fecha-se os olhos
Abre-se a alma
domingo, 15 de setembro de 2013
A dúvida
como companhia, como inseparável dele e quão inerente a ele e sua miséria em
carregar e ter que afirmar o adjetivo humano. A certeza é uma pegadinha da consciência
ou um transgênico do cruzamento da prepotência e da ignorância. Um clichê socrático,
banalizado numa rede social, na estampa de uma camiseta, numa mesa de bar ou
numa manifestação de rua com uma ideologia dadaísta filha de um desejo niilista.
Nada brilhante, tampouco genial ou mesmo
um grande insight. Apenas a constatação do óbvio, do evidente, do escondido no
que é explícito: A vida como algo cru e indigesto, a existência que se constata
como por essência miserável. Somos por essência vazios e talvez daí nossa única
dádiva! Como um vaso que tem seu valor retido naquilo que não tem. Se não fosse
o vazio o vaso era apenas barro.(Como me disse um Chinês em uma tatuagem com
letrinhas orientais no corpo de alguém que eu esqueci o nome). E desse não ter,
não ser, não poder é que se cria um texto sem muito nexo, coesão que chuta o
estômago do sentido, que existe talvez só para livrar alguém de uma ideia que o
impregna. Como se a clareza para se fazer inteligível fosse o norte para o
parto fórceps de um desassossego de uma inquietação como um acorde diminuto
ecoando na sua insônia implorando para ser escrito. Como se o som e os sonhos
pudessem traduzir as palavras que nos limitam pelo imperativo da clareza e do
inteligível, como se para organizar fosse preciso mutilar a ideia, o sentimento
ou que se desejava expressar. Daí tudo isso fica mais claro nos denominadores
comuns do ser humano: a dor, a miséria e a morte. Esta última como um alarme
nos acordando para a lembrança de que corremos contra a finitude e contra os
imperativos do tempo. Às vezes até acho que é nessa esquina entre o nosso vazio
e nossa finitude que são concebidos os poemas, as melodias e as paixões...
paliativos para a solidão e para as dúvidas, como se a Verdade fosse só uma
expressão do medo de pensar que o vazio daquele monte de barro seja preenchido
apenas por uma inexorável solidão, por dúvidas e dívidas com um passado que nos
presenteia com a saudade. E aí você percebe que todo o texto sem sentido até aqui e o todo de tudo aqui que
inquietava antes e agora se resume em uma palavra: saudade.
sábado, 1 de junho de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
domingo, 3 de março de 2013
Minha arte não paga meu salário
mas meu salário paga minha arte
Minha alma vendida é mecena
dessa poesia
As letras quentes desse coração
são alimentadas
por uma mente fria e calculista
Não cabe indulto,
por não haver culpa
(por não haver inocente arrependido)
Nada seria segredo
a quem se desnuda
nessas palavras e melodias que pagam pedágio
para sair da gaveta e ganhar o mundo
Sob a pretensão da Arte
não cabe a mim ser escuso
não cabem em mim suas escusas
Assinar:
Postagens (Atom)
