quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Dos dias que desaguam em chuva…






     A chuva como lágrimas de quem se inunda na lama do lixo do descaso é a mesma água que lava a alma de quem vive a seca? Eu como tradutor do óbvio, não me repreendo em decretar-me feriado quando chove. Sou uma pessoa de poucas alegrias e de onde venho a chuva ainda é um evento. Quando chove para tudo, como se chover não fosse impessoal, mas sim um momento de comunhão de um bem estar travestido de preguiça com a contemplação dos pingos de água que já não fingem ser dor ou mágoa. Talvez até lágrimas de uma coletividade que transborda alegria só do prenúncio de chuva percebido quando se avista o “tempo bonito pra chover”. Sou do Ceará, por esses tempos quase Saara, mas nesta seara de nascenças e transcendências, quiçá quis minha vida que minhas raízes estivessem no ar. Talvez por assim ser um modo de esta muda de si mesmo se fixar em qualquer lugar e não se prender em nenhum lar. De qualquer forma, carrego em mim o afeto por esses dias em que a ausência solar faz um feriado na Terra do Sol.








sábado, 6 de dezembro de 2014




E veio no impacto
de quem me invade desde o primeiro instante
No meio do meu caminho
e meio que do nada
na mesma direção
prescindindo de sentido
Se coloca num imperativo
que não me permite evitá-la
Bateu e ficou
fincou em mim
uma dúvida sobre aquela palavra
que ecoava e rompia o silêncio em mim




Ela
pegara um atalho
e encontrava um acesso
para me roubar o sono
e me furtar a calma
Enquanto eu me via refém
e não concebia ser possível o contrário
me deixando sem saída
à cada passo num caminho só de ida
em que eu me perco e pergunto:
-Qual a porta de entrada para sua vida?




Talvez eu seja apenas
mais um figurante na sua história
que ousou encarar a câmera
entregando e denunciando uma vontade
de ir além
da esquina do medo e da incerteza
permitir que floresça um sim
dessa “flor do medo”
que me joga
à espera que me desespera
e exaspera a expectativa
de que seja ela
um pedaço de mim








quinta-feira, 17 de julho de 2014









Um olho que treme
como se represasse uma lágrima
como se escondesse um segredo
como se a saudade transbordasse em silêncio
como se a distância me fizesse esquecer que
para cada noite em claro
há um sonho que se apaga
cada folha em branco
é um poema abortado
cada dia distante é uma lacuna
uma esquina entre o vazio e o nada
(...)


(-Para boa felicidade
meio sorriso basta)














terça-feira, 17 de junho de 2014









Eu já perco
o meu desejo em desejar



Quando me afasto
do rebanho de erros
dos que pedem perdão ao nada
e são sempre absolvidos










domingo, 18 de maio de 2014

                




                   A voz do povo

                  É a voz de Deus:

                 Libertem Barrabás!

















quinta-feira, 17 de abril de 2014










A mudança é a única constante
mas o novo de novo é sempre o mesmo
Nessa busca vinda de um desejo alheio
de ser eu mesmo
me perco nas tentativas de me encontrar
Como se as histórias sem fim
fossem um fim em si mesmo











terça-feira, 1 de abril de 2014





Eu sigo a chuva com meus olhos
palavras agora não me atingem, mas me cercam
e não vou além da lembrança do que poderia ter sido
Eu quase não esqueci seu sorriso
mas já aprendi que um copo é muito raso para afogar mágoas



Há um poema em cada esquina
e amor em cada verso
Há um convite na escrita
e um silêncio em todo o resto



A chuva apressa o pôr do sol
o tempo esfria
o corpo aquece o que a alma esquece
os relógios lembram que já foi tarde
Disparo uma saudade contra as memórias
de quem se fez distante
Lembrá-la é a única forma de revê-la
com uma canção, um verso que ecoa
um fato do cotidiano
 que remeta à saudade mais plural
o destino de quem se perde no desejo de esquecer







quarta-feira, 12 de março de 2014

Belchior me entenderia...




Quero uma bebida amarga
que me roube o sono
Quero uma canção pesada
que me furte o tédio
Quero uma mulher ímpar
que sequestre meus desejos
e me tome de paixão
como nosso resgate
Quero o silêncio mais sólido
que invada minhas idéias mais abstratas
Quero a solidão dos poetas
usurpando todo espaço e lugar
que não me deixe escolha alguma
que não seja estar ao seu lado








domingo, 9 de fevereiro de 2014








Naquele instante
eu evitava o olhar no espelho
havia alguém a me encarar
que me reconhecia
e eu a desconhecia
Por um instante
eu era o último e o primeiro
e aqueles minutos
me valiam mais que muitas horas
que iam além de alguns anos
Eu não saberia responder
se aquele no espelho
era um outro a viver por mim
ou eu que havia me tornado outra pessoa










sexta-feira, 3 de janeiro de 2014








Fatos sobre a vida
me encantam
Contam por aí
que contra fatos não há argumentos
Mas me contaram uma vez
que não há fatos,
apenas interpretações de fatos
E de fato,
o encantamento
é uma versão que eu crio
das palavras em prosa
que eu leio em verso
E vejo poesia na esquina
do silêncio com a solidão
Em que a saudade se perde
e deixa de ser anseio pelo passado
para ser uma sede pelo futuro







domingo, 24 de novembro de 2013





Poemas morrem à cada estrofe não lida
como amores à primeira vista
morrem à cada olhar não correspondido



Eu me escondo no seu medo de me achar
A palavra certa (repetida)
na hora errada
até ser seu clichê
(até ser só clichê)
No seu faz de conta de sonhar acordado
com o meu pesadelo contido
contado em sons perdidos
buscando dormir como forma de esquecer
ou não lembrar por um instante
da agonia dos versos que procuram melodia
ou da busca de um eu que deseja(va) ser nós



Pouco pra mim, basta pra você
segue em silêncio o quase grito
de ironia na piada pronta
no trocadilho calculado
na solidão recheada por
sonhos e demandas alheias



Apenas um capítulo desconexo
páginas a serem limadas na próxima edição
em que se recontará a história
com finais felizes
a memória do vazio ocupará esse espaço
Mais um verso em mais um livro



A memória te trai com a saudade
sabotando seu plano de esquecer
uma frase anônima a romper o silêncio
numa página a ser deixada em branco






sábado, 9 de novembro de 2013

All my loving

 





Algumas músicas são como pessoas:
 ficam com a gente como se fossem nossas e às vezes até começam a parecer conosco...

https://soundcloud.com/vidapartedois/all-my-loving






segunda-feira, 28 de outubro de 2013




Você que leva a sério as minhas piadas
mas não acredita quando eu falo sério
Você que leva pro lado pessoal
o que eu falo sobre o abstrato
E faz de conta que não é com você
quando eu chamo pelo seu nome
Você que não me liga, mas sempre atende
quando eu digo que não foi nada
e você sabe quase tudo



Quando a saudade se perde
na iminência do não
mesmo que eu tenha perdido cada
em que não te arrisquei um sim
quando as possibilidades caminham para o silêncio
E o benefício da dúvida
nutre uma certeza pelo não
Queria ter sido outro em meu passado
queria de volta o meu presente
queria pensar que o futuro
ainda se faria diferente
queria acreditar que a história
seria a mesma com a gente
queria um verso que me narrasse
em uma estória que eu te encontrasse





sábado, 28 de setembro de 2013



À olho nu
se desnuda a razão
o filtro que esconde o desejo infiltrado
em parecer para ser alguém
que não se é para ter de alguma forma
o que não se pode ter 
ou deter consigo
ou reter em si





Ao olho nu que pouco enxerga
e muito entrega:
da beleza de quem vê
à beleza de quem vem
Os limites dos olhos balizam o olhar
que no escuro cega
mas abre a janela para sentir e tocar




Há um olho nu
e uma nudez no olhar
olho no olho, nu
Fecha-se os olhos
Abre-se a alma




domingo, 15 de setembro de 2013





A dúvida como companhia, como inseparável dele e quão inerente a ele e sua miséria em carregar e ter que afirmar o adjetivo humano. A certeza é uma pegadinha da consciência ou um transgênico do cruzamento da prepotência e da ignorância. Um clichê socrático, banalizado numa rede social, na estampa de uma camiseta, numa mesa de bar ou numa manifestação de rua com uma ideologia dadaísta filha de um desejo niilista. Nada brilhante,  tampouco genial ou mesmo um grande insight. Apenas a constatação do óbvio, do evidente, do escondido no que é explícito: A vida como algo cru e indigesto, a existência que se constata como por essência miserável. Somos por essência vazios e talvez daí nossa única dádiva! Como um vaso que tem seu valor retido naquilo que não tem. Se não fosse o vazio o vaso era apenas barro.(Como me disse um Chinês em uma tatuagem com letrinhas orientais no corpo de alguém que eu esqueci o nome). E desse não ter, não ser, não poder é que se cria um texto sem muito nexo, coesão que chuta o estômago do sentido, que existe talvez só para livrar alguém de uma ideia que o impregna. Como se a clareza para se fazer inteligível fosse o norte para o parto fórceps de um desassossego de uma inquietação como um acorde diminuto ecoando na sua insônia implorando para ser escrito. Como se o som e os sonhos pudessem traduzir as palavras que nos limitam pelo imperativo da clareza e do inteligível, como se para organizar fosse preciso mutilar a ideia, o sentimento ou que se desejava expressar. Daí tudo isso fica mais claro nos denominadores comuns do ser humano: a dor, a miséria e a morte. Esta última como um alarme nos acordando para a lembrança de que corremos contra a finitude e contra os imperativos do tempo. Às vezes até acho que é nessa esquina entre o nosso vazio e nossa finitude que são concebidos os poemas, as melodias e as paixões... paliativos para a solidão e para as dúvidas, como se a Verdade fosse só uma expressão do medo de pensar que o vazio daquele monte de barro seja preenchido apenas por uma inexorável solidão, por dúvidas e dívidas com um passado que nos presenteia com a saudade. E aí você percebe que todo o texto  sem sentido até aqui e o todo de tudo aqui que inquietava antes e agora se resume em uma palavra: saudade.





domingo, 23 de junho de 2013













Dá pra abaixar
20 centavos
na saudade?












sábado, 1 de junho de 2013











                                                                O silêncio tem várias versões...








domingo, 14 de abril de 2013






Revelia
relevaria
e elevaria-me
Revê-la ia
e revelaria


Revelar-se ou ia
rebelar-se e à
revelia
revolveria
a rebeldia


De revelar-se
revelar o sim
revelar a si
De revolver-se
e se envolver
Se
...




terça-feira, 2 de abril de 2013
















...

Ligue os pontos e forme um texto

...










domingo, 3 de março de 2013









Minha arte não paga meu salário
mas meu salário paga minha arte


Minha alma vendida é mecena
dessa poesia
As letras quentes desse coração
são alimentadas
 por uma mente fria e calculista


Não cabe indulto, 
por não haver culpa
(por não haver inocente arrependido)
Nada seria segredo
a quem se desnuda
nessas palavras e melodias que pagam pedágio
para sair da gaveta e ganhar o mundo


Sob a pretensão da Arte
não cabe a mim ser escuso
não cabem em mim suas escusas