domingo, 23 de junho de 2013













Dá pra abaixar
20 centavos
na saudade?












sábado, 1 de junho de 2013











                                                                O silêncio tem várias versões...








domingo, 14 de abril de 2013






Revelia
relevaria
e elevaria-me
Revê-la ia
e revelaria


Revelar-se ou ia
rebelar-se e à
revelia
revolveria
a rebeldia


De revelar-se
revelar o sim
revelar a si
De revolver-se
e se envolver
Se
...




terça-feira, 2 de abril de 2013
















...

Ligue os pontos e forme um texto

...










domingo, 3 de março de 2013









Minha arte não paga meu salário
mas meu salário paga minha arte


Minha alma vendida é mecena
dessa poesia
As letras quentes desse coração
são alimentadas
 por uma mente fria e calculista


Não cabe indulto, 
por não haver culpa
(por não haver inocente arrependido)
Nada seria segredo
a quem se desnuda
nessas palavras e melodias que pagam pedágio
para sair da gaveta e ganhar o mundo


Sob a pretensão da Arte
não cabe a mim ser escuso
não cabem em mim suas escusas








quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013






Medo,
fraqueza dos covardes ou
prudência dos vencedores?



O ponto forte de quem vence
é saber os pontos fracos
seus
(da forma mais ambígua possível)
Como se vira
na arte da guerra
imitando a vida
ou a arte do amor
Portando, portanto
uma semelhança por tanto
já anunciada em hinos e poemas
filhos da mesma pena
Destarte (ou desta arte)
semelhanças espelham diferenças
A pena capital às vezes abraça o indulto
ainda que alguns se prendam por vontade




Medo
de (se) perder,
dá força aos que persistem
enfraquece os que desistem











terça-feira, 19 de fevereiro de 2013





Onde já se viu?
Onde já serviu? 
Onde jaz civil?
Onde jaz ser vil?



Se prestar ao papel
de se emprestar ao papel
Onde já se viu?
a folha em branco
a folhear seu pranto


Ir ou ia?
Troca de lado
ou descarrilho
Ironia
Trocadalho
do carilho
A fim de que?
Afim de quem?


Uma engenharia dadaísta
um planejamento do acaso
uma bala perdida do tiro certeiro
uma certeza emprenhada de dúvida
uma conta empenhada da dívida
No faz de conta 
a história tem sim
tem até final feliz
Do máximo que se pode fazer
ao mínimo que se pode ter
numa conta de fardos
em que se sonha
um conto de fadas





quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013








Estar em silêncio
não significa que 
não se está em saudade...






(Aos meus amigos meus amores, minha família)











sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Apologia de Belchior





Assim como os segredos precisam do silêncio
assim como a saudade precisa da ausência
O homem sobe a montanha 
(ou foge para as colinas) 
à procura de si
de se perder em si


Esperemos cicatrizar o que (e quanto) suas palavras
nos marcaram
O que escolhemos para lembrar?
Que olhos são esses que atentam para a maldição do gênio
e cegam para a poesia de sua genialidade?
O que se esconde na fuga desse homem que foge de seu passado?


Este homem não é (só) um artista
é um artesão talhando em nosso peito
palavras  à navalha
Não nos interessa as dívidas  e as dúvidas deixadas
sob o mistério de sua vida
É o que foi escrito e não quem escreve


Holofotes e flashes só ofuscam 
a luz de sua poesia
Tinha uma câmera no meio do caminho
a olhar para o seu passado 
e a perder o foco (do) que está no seu futuro



Não havia fuga antes da caçada global
Apenas um homem em algum interior latino-americano
que não nos canta quando convém
Não venha perguntar por onde ele andou
paralelas levam ao infinito
onde de braços abertos há um rapaz em uma ilha que diz
“que nada é eterno”
que ainda há espaço, tempo, corpo e
que tudo isso possa ser só mais um modo de dizer não


Antes do fim saberemos
que quem se mandou um dia
não tinha um bilhete só de ida
“Deixemos de coisa,
cuidemos da vida...”
Belchior não voltará
apenas pelo nosso bel prazer





quinta-feira, 3 de janeiro de 2013





Partindo do zero
rumo ao nada
Qualquer coisa já é o bastante
humildade demais é disfarce de arrogante
um prato fundo e vazio
uma tabula rasa
uma carta branca
um cheque em branco ( e sem fundos)
uma queda num buraco sem fundo
é voo livre
é folha em branco


O passado  num brechó
onde o obsoleto pra uns é colocado pra outros
como novidade
a nova idade da semana que vem 
que me deixa mais velho
e com os sonhos mais novos
Tem coisa que passa e nunca é passado
tem verso que se esquece antes de escrever
tem pessoa que se lembra antes de pensar
tem sonho que morre antes de nascer
tem ideia que envelhece antes amadurecer
tem vida que amanhece antes de anoitecer



Aquele  dia que só começa quando você acorda
até se finge uma soneca de cinco eternos minutos
mas o tempo é um imperativo
e não há acordos para acordar
a vida lá fora não espera seu dia amanhecer...
a vida não te espera
a morte espera
amor te espera?






quinta-feira, 27 de dezembro de 2012






Todos os problemas
e nenhum
Os extremos são o meio termo
do desequilíbrio
Não há espaço
quando se está vazio
Não tem sentido,
mas talvez assim esconda um significado
Uma história sem fim
é um fim em si mesmo



Muitos muros e poucas pontes
muitos segredos e poucos sorrisos
E o grande mistério em tudo isso
é ver que o fim é só um início
Uma previsão do passado
uma saudade do futuro
O especial é que somos todos comuns
Para quem não tem nada
qualquer coisa já é tudo






domingo, 2 de dezembro de 2012




Caminho do meio
meio do caminho
caminho sem volta
caminho das pedras
poeta da pedra no meio do caminho
caminho das índias
pedaço de mau caminho
pedaços de mim pelo caminho
caminho da felicidade
caminho do bem
contrabandeando o descaminho


Utopia para caminhar
caminhada para emagrecer
passos largos para pernas curtas
pequenas empresas para grandes negócios
mente pequena para grandes ideias
o verso do avesso
averso às versões de visões
(alheias)
divisões de si mesmo
travestida de outro
loucura maquiada de coragem
medo camuflado de prudência



A insônia encontra abrigo
no coração do insone
cujo sono é um amigo
que dorme e assim some
deixando versos
que soam como pontes
entre silêncios e solidões


Caminho do meio,
saia do meu caminho!
Não sou de meio termo
meias palavras
meia vida
meio assim

Um coração abatido
não pulsa meia batida
Algumas histórias terminam
com reticências,
mas as histórias sem fim
são um fim em si mesmo
(E o que nunca existiu não pode ter fim)














quinta-feira, 22 de novembro de 2012









Dinheiro não traz felicidade,
mas nos leva até ela.












sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Como dizia Camões...












O amor é uma topada...
(dói quase sempre,
quem vê de fora quase sempre ri,
   e ou te derruba
ou te faz ir à frente)




















terça-feira, 16 de outubro de 2012


Das desmemórias...






    Até quando (onde) eu me lembro esquecer é uma arte já exaltada até no monocromatismo das palavras perdidas por esses textos. Ontem, talvez até literalmente, esqueci do dia do professor! Esqueci que ontem era aniversário de um alemão que me deu aquela força naquela hora daquele dia que eu achava que eu ia me acabar e o dia não acabava. Ouvi dizer que ontem o Nietzsche completaria mais uma ano de vida se não fosse imortal. Acho que meus professores esquecem de mim numa velocidade inversamente proporcional a que eu esqueço deles. Lembro da Tia Arlinda e da Tia Irene do Jardim I, as quais alegoricamente são referidas como “Tia Tetéia”... Tia Arlinda era tão bonita... Ah meus quatro anos de idade! Ontem também esqueci que anti-ontem esqueci que meu professor de piano/teclado ia trocar uma ideia e uns sons com seus pupilos. Acho que até mesmo o pior dos professores ainda pode nos ensinar algo. Conheci algumas pessoas que viraram professores de determinadas matérias porque tiveram um professor muito ruim naquela matéria. Eu aprendi que sabia tocar teclado quando vi o 1berto tocando e ganhando dinheiro fazendo aquilo: se ele faz dessa forma e é aplaudido eu tenho carta branca pra fazer qualquer coisa... (Esqueci que eu não sou loiro, alto e rico...)Esquecer não dói, o que dói é não ser lembrado... Mentira! Eu odeio a saudade, pagaria para não lembrar e assim não sentir saudade, mas lembrando de outro professor “... quem jamais a esquece não pode reconhecer...” Ontem talvez eu tenha me perdido e esquecido que um dia aquele dia teve outro sentido, que um dia passou por mim a decência de passar pela docência. Queria ver esse tempo com os mesmos olhos que meus alunos viam, mas os olhos só lembram do que eles conseguem ver e hoje eu olho pro amanhã, eu tenho aquela saudade clichê do futuro e me vem um riso cínico com a alegria de imaginar esse passado como estátua de ar. (Eu me rio com a máxima de que professor só é lembrado até o dia da prova ou até sair as notas).  Ainda que eu tenha os pés no presente minhas mãos almejam alcançar o futuro. Eu aprendi a não guardar pesar pelo passado, a memória é seletiva, o passado é maleável. No entanto, contudo, porém, todavia, eu prefiro não movê-lo, deixá-lo intacto, passá-lo adiante de uma forma alheia a quem o receba como quem doa sem saber a quem parafraseando nesses dias outro professor que me ensinou que “o passado é uma roupa que não me serve mais...”

domingo, 23 de setembro de 2012





Eu já não temo o fracasso e já não me incomodam mais as pessoas maculadas pelo fracasso. Meu medo é daqueles que desistem. Desistem de tentar; desistem de correr e caminham sem vontade; desistem de lutar e se tornam pacifistas não por querer a paz, mas por não ter forças ou coragens para a guerra; desistem dos sonhos para sonhar acordado com
um futuro que lhe foi abdicado...

   Mas medo mesmo é daqueles que desistem de si. Se uma pessoa desiste de si mesma não há “amor às causas perdidas” que me faça vê-la com outros olhos. Fica a estampa da fraqueza encobrindo qualquer vestígio de vontade de protagonizar uma mudança. As cartas são as mesmas para todos os jogadores, o azar e o destino são variáveis usadas como justificativas e como desculpas medíocres para o fracasso. Não há tempo que não passe ou distância que não se vença diante de uma grande vontade, que o diga o homem que destronou o adjetivo absoluto do tempo e do espaço relativizando distâncias temporais e espaciais como se explicasse a essência do que é a saudade.










terça-feira, 28 de agosto de 2012







"Quando o cansaço  acumulado
 - que era contido pela excitação do vir a ser -
 cobra seu preço..."








segunda-feira, 30 de julho de 2012







Esquecer
seria repetir
o amor à primeira vista...





sexta-feira, 29 de junho de 2012






Pesadelo
é acordar com o passado presente

ameaçando ficar até o futuro...



Da arte de esquecer me vem o contrasenso ou a dualidade de esquecer na esfera racional e fetiva. O aprendizado, talvez por ingenuidade de quem assim creia, não se dá apenas pela via racional, ainda que esta seja privilegiada. Desse modo, como desdobramento ou invertendo a polaridade das coisas, esquecer iria além do racional pass(e)ando pelo afetivo, estético e existencial o que deixaria desconexo usar  as palavras “arte e esquecer” na mesma frase. Arte não se aprende, se apreende; se sabe para estudar e não se estuda para saber. Não tem sentido, é sentir as idéias; é “pensar com emoção”. 


Talvez a arte seja mesmo a intimação a vermos nossas limitações (humanas, sociais, afetivas, existenciais...) e um convite a transcendê-las. Muito romantismo conceber a arte dessa forma quando o realismo a transforma numa alquimia de um Midas pós-moderno em que quaisquer so(m)bras de arte viram concretos “entreternainers”. Fugacidade seria um antídoto, uma vez que a essência desses “entreternainers” é a mesma de uma estátua de fumaça. Seria alento para a esperança dos mais otimistas se o acaso permitisse que a chama não fosse alentada por nossas aspirações. (Eu poderia até mudar o título para: “Do toque de Midas ao toque de Mídias...”)


O desejo como um produto pré-concebido, a produção em série do que se rotula como subjetivo e academicamente se desdobra em subjetividade, a criatividade condicionada a um crivo que limita os exercícios de liberdade. Ser livre é um risco à liberdade, alguém nos proteja da possibilidade de sermos nós mesmos e correr o risco de sermos felizes.