domingo, 20 de janeiro de 2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Apologia de Belchior
Assim como os segredos precisam do silêncio
assim como a saudade precisa da ausência
O homem sobe a montanha
(ou foge para as colinas)
à procura de si
de se perder em si
Esperemos cicatrizar o que (e quanto) suas palavras
nos marcaram
O que escolhemos para lembrar?
Que olhos são esses que atentam para a maldição do gênio
e cegam para a poesia de sua genialidade?
O que se esconde na fuga desse homem que foge de seu passado?
Este homem não é (só) um artista
é um artesão talhando em nosso peito
palavras à navalha
Não nos interessa as dívidas e as
dúvidas deixadas
sob o mistério de sua vida
É o que foi escrito e não quem escreve
Holofotes e flashes só ofuscam
a luz de sua poesia
Tinha uma câmera no meio do caminho
a olhar para o seu passado
e a perder o foco (do) que está no seu futuro
Não havia fuga antes da caçada global
Apenas um homem em algum interior latino-americano
que não nos canta quando convém
Não venha perguntar por onde ele andou
paralelas levam ao infinito
onde de braços abertos há um rapaz em uma ilha que diz
“que nada é eterno”
que ainda há espaço, tempo, corpo e
que tudo isso possa ser só mais um modo de dizer não
Antes do fim saberemos
que quem se mandou um dia
não tinha um bilhete só de ida
“Deixemos de coisa,
cuidemos da vida...”
Belchior não voltará
apenas pelo nosso bel prazer
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Partindo do
zero
rumo ao nada
Qualquer coisa já é o bastante
humildade demais é disfarce de arrogante
um prato fundo e vazio
uma tabula rasa
uma carta branca
um cheque em branco ( e sem fundos)
uma queda num buraco sem fundo
é voo livre
é folha em branco
O passado num brechó
onde o obsoleto pra uns é colocado pra outros
como novidade
a nova idade da semana que vem
que me deixa mais velho
e com os sonhos mais novos
Tem coisa que passa e nunca é passado
tem verso que se esquece antes de escrever
tem pessoa que se lembra antes de pensar
tem sonho que morre antes de nascer
tem ideia que envelhece antes amadurecer
tem vida que amanhece antes de anoitecer
Aquele dia que só começa quando você acorda
até se finge uma soneca de cinco eternos minutos
mas o tempo é um imperativo
e não há acordos para acordar
a vida lá fora não espera seu dia amanhecer...
a vida não te espera
a morte espera
amor te espera?
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Todos os problemas
e nenhum
Os extremos são o meio termo
do desequilíbrio
Não há espaço
quando se está vazio
Não tem sentido,
mas talvez assim esconda um significado
Uma história sem fim
é um fim em si mesmo
e nenhum
Os extremos são o meio termo
do desequilíbrio
Não há espaço
quando se está vazio
Não tem sentido,
mas talvez assim esconda um significado
Uma história sem fim
é um fim em si mesmo
Muitos muros e poucas pontes
muitos segredos e poucos sorrisos
E o grande mistério em tudo isso
é ver que o fim é só um início
Uma previsão do passado
uma saudade do futuro
O especial é que somos todos comuns
Para quem não tem nada
qualquer coisa já é tudo
muitos segredos e poucos sorrisos
E o grande mistério em tudo isso
é ver que o fim é só um início
Uma previsão do passado
uma saudade do futuro
O especial é que somos todos comuns
Para quem não tem nada
qualquer coisa já é tudo
domingo, 2 de dezembro de 2012
Caminho do meio
meio do caminho
caminho sem volta
caminho das pedras
poeta da pedra no meio do caminho
caminho das índias
pedaço de mau caminho
pedaços de mim pelo caminho
caminho da felicidade
caminho do bem
contrabandeando o descaminho
meio do caminho
caminho sem volta
caminho das pedras
poeta da pedra no meio do caminho
caminho das índias
pedaço de mau caminho
pedaços de mim pelo caminho
caminho da felicidade
caminho do bem
contrabandeando o descaminho
Utopia para caminhar
caminhada para emagrecer
passos largos para pernas curtas
pequenas empresas para grandes negócios
mente pequena para grandes ideias
o verso do avesso
averso às versões de visões
(alheias)
divisões de si mesmo
travestida de outro
loucura maquiada de coragem
medo camuflado de prudência
caminhada para emagrecer
passos largos para pernas curtas
pequenas empresas para grandes negócios
mente pequena para grandes ideias
o verso do avesso
averso às versões de visões
(alheias)
divisões de si mesmo
travestida de outro
loucura maquiada de coragem
medo camuflado de prudência
A insônia encontra abrigo
no coração do insone
cujo sono é um amigo
que dorme e assim some
deixando versos
que soam como pontes
entre silêncios e solidões
Caminho do meio,
saia do meu caminho!
Não sou de meio termo
meias palavras
meia vida
meio assim
Um coração abatido
não pulsa meia batida
Algumas histórias terminam
com reticências,
mas as histórias sem fim
são um fim em si mesmo
(E o que nunca existiu não pode ter fim)
no coração do insone
cujo sono é um amigo
que dorme e assim some
deixando versos
que soam como pontes
entre silêncios e solidões
Caminho do meio,
saia do meu caminho!
Não sou de meio termo
meias palavras
meia vida
meio assim
Um coração abatido
não pulsa meia batida
Algumas histórias terminam
com reticências,
mas as histórias sem fim
são um fim em si mesmo
(E o que nunca existiu não pode ter fim)
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Como dizia Camões...
O amor é uma topada...
(dói quase sempre,
quem vê de fora quase sempre ri,
e ou te derruba
ou te faz ir à frente)
(dói quase sempre,
quem vê de fora quase sempre ri,
e ou te derruba
ou te faz ir à frente)
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Das desmemórias...
Até quando (onde) eu me lembro esquecer é uma arte já exaltada até no monocromatismo das palavras perdidas por esses textos. Ontem, talvez até literalmente, esqueci do dia do professor! Esqueci que ontem era aniversário de um alemão que me deu aquela força naquela hora daquele dia que eu achava que eu ia me acabar e o dia não acabava. Ouvi dizer que ontem o Nietzsche completaria mais uma ano de vida se não fosse imortal. Acho que meus professores esquecem de mim numa velocidade inversamente proporcional a que eu esqueço deles. Lembro da Tia Arlinda e da Tia Irene do Jardim I, as quais alegoricamente são referidas como “Tia Tetéia”... Tia Arlinda era tão bonita... Ah meus quatro anos de idade! Ontem também esqueci que anti-ontem esqueci que meu professor de piano/teclado ia trocar uma ideia e uns sons com seus pupilos. Acho que até mesmo o pior dos professores ainda pode nos ensinar algo. Conheci algumas pessoas que viraram professores de determinadas matérias porque tiveram um professor muito ruim naquela matéria. Eu aprendi que sabia tocar teclado quando vi o 1berto tocando e ganhando dinheiro fazendo aquilo: se ele faz dessa forma e é aplaudido eu tenho carta branca pra fazer qualquer coisa... (Esqueci que eu não sou loiro, alto e rico...)Esquecer não dói, o que dói é não ser lembrado... Mentira! Eu odeio a saudade, pagaria para não lembrar e assim não sentir saudade, mas lembrando de outro professor “... quem jamais a esquece não pode reconhecer...” Ontem talvez eu tenha me perdido e esquecido que um dia aquele dia teve outro sentido, que um dia passou por mim a decência de passar pela docência. Queria ver esse tempo com os mesmos olhos que meus alunos viam, mas os olhos só lembram do que eles conseguem ver e hoje eu olho pro amanhã, eu tenho aquela saudade clichê do futuro e me vem um riso cínico com a alegria de imaginar esse passado como estátua de ar. (Eu me rio com a máxima de que professor só é lembrado até o dia da prova ou até sair as notas). Ainda que eu tenha os pés no presente minhas mãos almejam alcançar o futuro. Eu aprendi a não guardar pesar pelo passado, a memória é seletiva, o passado é maleável. No entanto, contudo, porém, todavia, eu prefiro não movê-lo, deixá-lo intacto, passá-lo adiante de uma forma alheia a quem o receba como quem doa sem saber a quem parafraseando nesses dias outro professor que me ensinou que “o passado é uma roupa que não me serve mais...”
domingo, 23 de setembro de 2012
Eu já não temo o fracasso e já não me
incomodam mais as pessoas maculadas pelo fracasso. Meu medo é daqueles que
desistem. Desistem de tentar; desistem de correr e caminham sem vontade; desistem
de lutar e se tornam pacifistas não por querer a paz, mas por não ter forças ou
coragens para a guerra; desistem dos sonhos para sonhar acordado com
um futuro que lhe foi abdicado...
Mas medo mesmo é daqueles que desistem de si. Se uma pessoa desiste de si mesma não há “amor às causas perdidas” que me faça vê-la com outros olhos. Fica a estampa da fraqueza encobrindo qualquer vestígio de vontade de protagonizar uma mudança. As cartas são as mesmas para todos os jogadores, o azar e o destino são variáveis usadas como justificativas e como desculpas medíocres para o fracasso. Não há tempo que não passe ou distância que não se vença diante de uma grande vontade, que o diga o homem que destronou o adjetivo absoluto do tempo e do espaço relativizando distâncias temporais e espaciais como se explicasse a essência do que é a saudade.
um futuro que lhe foi abdicado...
Mas medo mesmo é daqueles que desistem de si. Se uma pessoa desiste de si mesma não há “amor às causas perdidas” que me faça vê-la com outros olhos. Fica a estampa da fraqueza encobrindo qualquer vestígio de vontade de protagonizar uma mudança. As cartas são as mesmas para todos os jogadores, o azar e o destino são variáveis usadas como justificativas e como desculpas medíocres para o fracasso. Não há tempo que não passe ou distância que não se vença diante de uma grande vontade, que o diga o homem que destronou o adjetivo absoluto do tempo e do espaço relativizando distâncias temporais e espaciais como se explicasse a essência do que é a saudade.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Pesadelo
é acordar com o passado presente
ameaçando ficar até o futuro...
Da arte de esquecer me vem o contrasenso ou a dualidade de esquecer na esfera racional e fetiva. O aprendizado, talvez por ingenuidade de quem assim creia, não se dá apenas pela via racional, ainda que esta seja privilegiada. Desse modo, como desdobramento ou invertendo a polaridade das coisas, esquecer iria além do racional pass(e)ando pelo afetivo, estético e existencial o que deixaria desconexo usar as palavras “arte e esquecer” na mesma frase. Arte não se aprende, se apreende; se sabe para estudar e não se estuda para saber. Não tem sentido, é sentir as idéias; é “pensar com emoção”.
Talvez a arte seja mesmo a intimação a vermos nossas limitações (humanas, sociais, afetivas, existenciais...) e um convite a transcendê-las. Muito romantismo conceber a arte dessa forma quando o realismo a transforma numa alquimia de um Midas pós-moderno em que quaisquer so(m)bras de arte viram concretos “entreternainers”. Fugacidade seria um antídoto, uma vez que a essência desses “entreternainers” é a mesma de uma estátua de fumaça. Seria alento para a esperança dos mais otimistas se o acaso permitisse que a chama não fosse alentada por nossas aspirações. (Eu poderia até mudar o título para: “Do toque de Midas ao toque de Mídias...”)
O desejo como um produto pré-concebido, a produção em série do que se rotula como subjetivo e academicamente se desdobra em subjetividade, a criatividade condicionada a um crivo que limita os exercícios de liberdade. Ser livre é um risco à liberdade, alguém nos proteja da possibilidade de sermos nós mesmos e correr o risco de sermos felizes.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
“Deus inventou o encontro e o diabo inventou a reunião”
A despretensão pessoal ou a pretensão do acaso em promover os encontros. Lembro de uma paixão infantil que eu via diariamente e sabia eu secretamente que era correspondido. Por alguns anos os sorrisos recíprocos era tudo que conseguia fazer e tudo que conseguia perceber. Não tardou o tempo colocar seus imperativos e eu achar que a criatividade traria encantamento ao propor “o que você acha da gente combinar de se encontrar por acaso?”. Ela não entendeu. Eu sabia que ela havia entendido, era a menina mais inteligente dentre as meninas mais inteligentes. Ela de tão inteligente não me ofendia, encantava. Tão inteligente que sabia que a resposta mais “burra” seria a mais inteligente. Ficou por isso, o sorriso de de outrora ficou amarelo e o brilho no olhar desbotou. Não sei se pela pressão de tentar balizar o que era espontâneo ou pela possibilidade de dar cabo ao benefício da dúvida que coloria aquela amizade.
O encontro prescinde acordos prévios por ser o acordo mais espontâneo e imediato. Eu não lembro de a paixão pedir licença ou agendar horário. Às vezes basta saber da existência do outro e a concepção do desejo é imediata. Não se coloca prazos, datas, certificações, certidões, cerimônias... Algumas coisas não cabem no papel, por isso inventaram as entrelinhas...
Reunião, por experiências empíricas, não me traz boas recordações. Lembro de reuniões em que havia pauta para se discutir a cor da caneta que se escreveriam as pautas. (Eu me abstive da votação: sempre tive dúvida entre escrever com caneta preta ou azul). Às vezes acho que as reuniões ocorrem por falhas no sistema. É um erro para corrigir outro erro ou para corrigir a necessidade de se estar corrigindo um erro. Não são de todo infrutíferas, as pessoas acabam saciando o desejo de se estar fazendo algo para corrigir os erros, ainda que a ação seja ineficiente, serve ao menos para se usar a placa “Men at work!”. Ainda bem que eu não sou exagerado...
Quando pondero acabo olhando a realidade como possível fonte para eventuais respostas (e foz para constantes dúvidas). Se alguém quiser marcar uma reunião comigo terá que agendar, ver um horário disponível, reservar um local, verificar meu interesse,pertinência da pauta, o contato e a comunicação são restritos e provavelmente terá que me pagar por isso. No entanto, se alguma pessoa quer me encontrar, sabe que para usar esse verbo comigo eu estou disposto a encontrá-la “em qualquer lugar, em qualquer horário e por qualquer motivo”...
terça-feira, 24 de abril de 2012
Do ensino da matemática...
De fato não cabem a mim os adjetivos “frio e
calculista” ainda que admire o “Pequeno príncipe” escrito por Maquiavel e
insistam em me rotular de maquiavélico. ( Soa quase como um elogio pra quem já
leu o “Pequeno príncipe” escrito por ele. (Dada a realidade atual italiana até
que a historinha não seria anacrônica?)
De frio e calculista não tenho muito em essência ( se eu tiver essência). Estou uns dois passos mais próximo do “Quente e letrista”. Não pelas letras carentes de melodia... (por vezes tenho as duas e o desejo de uni-las num corpo só, mas falta o encontro). E por pensar em uniões nego quaisquer apreços pela matemática. Pela definição matemática, a união da “letra e melodia” implicaria: “A U B = n(A) + n(B) – n(A) ∩ n(B)”.
Em outras palavras seria unir tudo que se tem nas “letras” com tudo que se tem na “melodia” e excluir o que elas têm em comum, que no caso seria o desejo de estarem juntas.
E para quem deseja unir um corpo só na vida escrita e na poesia vivida...
segunda-feira, 12 de março de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
2+2=5
2+2=5
Porque talvez nas minhas contas
sempre caiba mais um
Às vezes é só uma conta errada...
Pouca matemática e muita poesia
Do frio e calculista
ao quente e letrista
Há muita razão
em se permitir
que a emoção faça todo o sentido do mundo
Há número irracionais
pessoas legais vivendo na ilegalidade
ou com liberdade de se permanecer em silêncio
Há números inteiros
amores-perfeitos em histórias imperfeitas
Números naturais para dividir uma alma em duas
uma história escrita à duas mãos
Há dias em que 19 não chega ao 20,
chega aos 30 e não chega aqui
Porque talvez nas minhas contas
sempre caiba mais um
Às vezes é só uma conta errada...
Pouca matemática e muita poesia
Do frio e calculista
ao quente e letrista
Há muita razão
em se permitir
que a emoção faça todo o sentido do mundo
Há número irracionais
pessoas legais vivendo na ilegalidade
ou com liberdade de se permanecer em silêncio
Há números inteiros
amores-perfeitos em histórias imperfeitas
Números naturais para dividir uma alma em duas
uma história escrita à duas mãos
Há dias em que 19 não chega ao 20,
chega aos 30 e não chega aqui
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