segunda-feira, 30 de julho de 2012







Esquecer
seria repetir
o amor à primeira vista...





sexta-feira, 29 de junho de 2012






Pesadelo
é acordar com o passado presente

ameaçando ficar até o futuro...



Da arte de esquecer me vem o contrasenso ou a dualidade de esquecer na esfera racional e fetiva. O aprendizado, talvez por ingenuidade de quem assim creia, não se dá apenas pela via racional, ainda que esta seja privilegiada. Desse modo, como desdobramento ou invertendo a polaridade das coisas, esquecer iria além do racional pass(e)ando pelo afetivo, estético e existencial o que deixaria desconexo usar  as palavras “arte e esquecer” na mesma frase. Arte não se aprende, se apreende; se sabe para estudar e não se estuda para saber. Não tem sentido, é sentir as idéias; é “pensar com emoção”. 


Talvez a arte seja mesmo a intimação a vermos nossas limitações (humanas, sociais, afetivas, existenciais...) e um convite a transcendê-las. Muito romantismo conceber a arte dessa forma quando o realismo a transforma numa alquimia de um Midas pós-moderno em que quaisquer so(m)bras de arte viram concretos “entreternainers”. Fugacidade seria um antídoto, uma vez que a essência desses “entreternainers” é a mesma de uma estátua de fumaça. Seria alento para a esperança dos mais otimistas se o acaso permitisse que a chama não fosse alentada por nossas aspirações. (Eu poderia até mudar o título para: “Do toque de Midas ao toque de Mídias...”)


O desejo como um produto pré-concebido, a produção em série do que se rotula como subjetivo e academicamente se desdobra em subjetividade, a criatividade condicionada a um crivo que limita os exercícios de liberdade. Ser livre é um risco à liberdade, alguém nos proteja da possibilidade de sermos nós mesmos e correr o risco de sermos felizes. 





quarta-feira, 20 de junho de 2012


“Deus inventou o encontro e o diabo inventou a reunião”




A despretensão pessoal ou a pretensão do acaso em promover os encontros. Lembro de uma paixão infantil que eu via diariamente e sabia eu secretamente que era correspondido. Por alguns anos os sorrisos recíprocos era tudo que conseguia fazer e tudo que conseguia perceber. Não tardou o tempo colocar seus imperativos e eu achar que a criatividade traria encantamento ao propor “o que você acha da gente combinar de se encontrar por acaso?”. Ela não entendeu. Eu sabia que ela havia entendido, era a menina mais inteligente dentre as meninas mais inteligentes. Ela de tão inteligente não me ofendia, encantava. Tão inteligente que sabia que a resposta mais “burra” seria a mais inteligente. Ficou por isso, o sorriso de de outrora ficou amarelo e o brilho no olhar desbotou. Não sei se pela pressão de tentar balizar o que era espontâneo ou pela possibilidade de dar cabo ao benefício da dúvida que coloria aquela amizade.


O encontro prescinde acordos prévios por ser o acordo mais espontâneo e imediato. Eu não lembro de a paixão pedir licença ou agendar horário. Às vezes basta saber da existência do outro e a concepção do desejo é imediata. Não se coloca prazos, datas, certificações, certidões, cerimônias...  Algumas coisas não cabem no papel, por isso inventaram as entrelinhas...


Reunião, por experiências empíricas, não me traz boas recordações. Lembro de reuniões em que havia pauta para se discutir a cor da caneta que se escreveriam as pautas. (Eu me abstive da votação: sempre tive dúvida entre escrever com caneta preta ou azul). Às vezes acho que as reuniões ocorrem por falhas no sistema. É um erro para corrigir outro erro ou para corrigir a necessidade de se estar corrigindo um erro. Não são de todo infrutíferas, as pessoas acabam saciando o desejo de se estar fazendo algo para corrigir os erros, ainda que a ação seja ineficiente, serve ao menos para se usar a placa “Men at work!”. Ainda bem que eu não sou exagerado...



Quando pondero acabo olhando a realidade como possível fonte para eventuais respostas (e foz para constantes dúvidas). Se alguém quiser marcar uma reunião comigo terá que agendar, ver um horário disponível, reservar um local, verificar meu interesse,pertinência da pauta, o contato e a comunicação são restritos e provavelmente terá que me pagar por isso. No entanto, se alguma pessoa quer me encontrar, sabe que para usar esse verbo comigo eu estou disposto a encontrá-la “em qualquer lugar, em qualquer horário e por qualquer motivo”...










segunda-feira, 28 de maio de 2012







A vida que eu levo hoje
é a vida que eu quero
que me leve amanhã?





quarta-feira, 23 de maio de 2012






Se você fosse o seu maior segredo,
para quem você se contaria?







terça-feira, 22 de maio de 2012





 Ensaiando o próximo improviso...









terça-feira, 24 de abril de 2012

Do ensino da matemática...






 De fato não cabem a mim os adjetivos “frio e calculista” ainda que admire o “Pequeno príncipe” escrito por Maquiavel e insistam em me rotular de maquiavélico. ( Soa quase como um elogio pra quem já leu o “Pequeno príncipe” escrito por ele. (Dada a realidade atual italiana até que a historinha não seria anacrônica?)


 De frio e calculista não tenho muito em essência ( se eu tiver essência). Estou uns dois passos mais próximo do “Quente e letrista”. Não pelas letras carentes de melodia... (por vezes tenho as duas e o desejo de uni-las num corpo só, mas falta o encontro). E por pensar em uniões nego quaisquer apreços pela matemática. Pela definição matemática, a união da “letra e melodia” implicaria: “A U B = n(A) + n(B) – n(A) ∩ n(B)”.
Em outras palavras seria unir tudo que se tem nas “letras” com tudo que se tem na “melodia” e excluir o que elas têm em comum, que no caso seria o desejo de estarem juntas.
E para quem deseja unir um corpo só na vida escrita e na poesia vivida...







domingo, 15 de abril de 2012






"Uma questão de raciocínio:
é lógico que eu sou mentiroso."









segunda-feira, 12 de março de 2012






"Assim como a música
é feita de pausas e silêncios,
o amor também é feito daquilo que lhe falta,
de ausências e de saudades..."




domingo, 19 de fevereiro de 2012

2+2=5




2+2=5


Porque talvez nas minhas contas
sempre caiba mais um
Às vezes é só uma conta errada...
Pouca matemática e muita poesia
Do frio e calculista
ao quente e letrista
Há muita razão
em se permitir
que a emoção faça todo o sentido do mundo


Há número irracionais
pessoas legais vivendo na ilegalidade
ou com liberdade de se permanecer em silêncio
Há números inteiros
amores-perfeitos em histórias imperfeitas
Números naturais para dividir uma alma em duas
uma história escrita à duas mãos



Há dias em que 19 não chega ao 20,
chega aos 30 e não chega aqui



terça-feira, 31 de janeiro de 2012







Deixemos as vontades à vontade...










quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

         



 Não sou muito afeito de multidões. Mais de dois pra mim é multidão. As pessoas é que me apetecem, a atenção para todos para mim não serve para ninguém. Eu me valho do clichê do velho Zappa: “qualquer lugar, por qualquer motivo, a qualquer hora, o importante são as pessoas” e acabo por só conseguir ver as coisas na maioria das vezes e do tempo por aí. Por vezes não é a música em si, é o músico que a interpreta, não é o beijo em si (ou em mim), mas sim a pessoa que beija.  No nosso diálogo não quero música de fundo, não quero som de barzinho(deixa que a gente inventa a trilha sonora pra vida), quero ouvir você e ler o seu olhar. Inventem adjetivos para isso, coloquem três décadas a mais no meu RG, mas eu ainda prefiro assim. Prefiro ser por inteiro ou nunca ser a ser pela metade (ou quase ser). Eu perdi o meio termo das coisas, se eu tiver essência ou alma ela carrega o carma e o dna do adjetivo exagerado. Se no instante em que se acorda estar junto não vejo espaço para algo que não venha do outro ao seu lado. Eu não quero perder nenhum gesto, nenhum olhar e nenhum sorriso, até mesmo por lembrar que os sorrisos acontecem no mesmo lugar onde ocorrem os beijos ...





              

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012







‎"Assassinos vamos matar todos eles"
Provérbios 171, Art. 121, § 7, versículo 3










sábado, 21 de janeiro de 2012



Deus inventou o ateísmo,
ainda que por omissão.






sábado, 14 de janeiro de 2012

Os livros que eu não li
os discos que eu não ouvi
São as histórias que eu conto
são as histórias que eu canto



A arte é o desejo do que poderia ser
a arte dilui a impossibilidade do proibido
desfaz laços sociais
amarra pontas afetivas



Um fim em si mesma
um meio para algo que não tem fim
É imortal por se alimenta de vida
Desejo, logo existo.
O poeta é um meio que a poesia
encontrou para ser escrita
(Não mais e sem mas)



Traduzir o inominável
nomear o intraduzível
A arte é só um chamado
um convite, um sinal
uma chamada no meio da noite
um grito de silêncio
para que o desespero vá embora
e para que a esperança do retorno
volte com você mais uma vez







segunda-feira, 26 de dezembro de 2011





Preciso não saber
(prefiro não saber)



Queria saber mais
queria dizer mais
quem sabe um pouco mais
pelo menos
Queria viver mais
você
queria um pouco mais
mas...


Prefiro não ter escolha
cometer você
não era erro aos olhos certos


Prefiro não viver(assim)
a ter que matar
o que me enche de sentimento
e me esvazia de sentido


Por vezes tudo que eu queria
era saber (o) que não precisava saber
saber o que (como e quem) esquecer
saber o que (e quando) silenciar


Não há resposta
quando a pergunta é o silêncio
solidão não é o fato de estar sozinho
solidão é o nome
que se dá à sua ausência








quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Das 'palavritas'...




À ventura das palavras
que se encontram nas linhas
e se perdem nas entrelinhas:
a aventura das palavras






sexta-feira, 2 de dezembro de 2011





Não sou capaz de responder
por mim mesmo como futuro
Talvez recrie o que me foi passado
pra trás
Como um sonho
que não se sonha acordado






Talvez releve e me torne leve
leve o bastante
para que meu futuro
não me condene
ao passado




Eu, que outrora fora a gota d’água
à agora de fora
uma gota d’água
no leito (de morte)
de um rio que desemboca no mar
que desencana de amar




quinta-feira, 24 de novembro de 2011







Ela constrói castelos
com as 'pedras do meio caminho'
e com a areia do fundo do poço...








quarta-feira, 23 de novembro de 2011







Álcool não cicatriza feridas.