sábado, 19 de fevereiro de 2011

     Recordo-me que às vezes os caminhos certos surgirão  com a porta trancada, sem chave ou segredo que remedeie. Um rota alternativa ou um caminho paralelo na esperança de que o infinito não seja tão distante e que os versos de estrofes paralelas possam mais uma vez rimar.   
     Acordados ou não, os sonhadores seguirão sonhando por lhes ser inerente o sonhar. Mesmo que o único acordo seja o silêncio, como se este com a distância pudesse sepultar a saudade.
     Querer o impossível, como se os sonhos fossem paliativos para as impossibilidades. As regras gramaticais são por demais rígidas para a poesia, por isso a Vida e há vidas que demandam licenças poéticas para sobreviver. Há partes da vida que só se vive nas entrelinhas e só quem ouve as estrelinhas é capaz de vivê-las.
     Uma só palavra, quem sabe a palavra certa, a palavra de ordem, a palavra da salvação...o sim incondicional, uma vez que alguns quereres não têm condições, não têm resposta, não têm explicação, não têm porquê.
     Lembrar só é possível às coisas e pessoas esquecidas ou a esquecer.(Eu sempre lembro daquilo que eu quero esquecer). Há dias que não cabem nas “lembrancinhas” porque alguns versos da história são inesquecíveis.







sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Selinho de qualidade

Em prosseguimento à promiscuidade textual a que se propõe a idéia do "selinho" recebido de http://tamydiferraz.blogspot.com/sigo parte dos protocolos da proposta enquanto em paralelo invento outras regras.





         Seguindo a ordem das regras. Primeiro você indica quem te indicou, não é? (risos)



Depois eu cito aqueles que habitualmente trazem sempre uma coisa boa ao brincar com as letrinhas, as idéias, as imagens, os sons:










http://maritimando.blogspot.com/



Ainda tem os que eu acompanho com fins lúdicos, quando o riso é mais importante que o texto:







-Nome: SANTOS, H. F.
-Uma Música: Ouvindo RUSH e tocando Chico Buarque
-Humor: negro.
-Uma cor: Azul. Homem que é homem só enxerga no máximo o padrão RGB(red-green-blue). Ciano, azul manteiga é coisa daquelas meninas que querem ser meninos que querem ser meninas. Eu gosto muito do monocromatismo.
-Uma estação: Eu gosto de chuva e de frio, de relâmpagos e de trovões. Se pra isso for preciso um inverno que seja
-Como prefere viajar: Dirigindo porque eu fico enjoado subindo a serra. Praia tem sol e eu odeio o sol. Acampar naquelas “Tocas do Gugu” que o pessoal chama de barraca...”Aham Cláudia, senta lá” .
 -Seriado: The big bang theory, How I met your mother, Dexter, House, Criminal Mindas, Walking dead, Misfits.
 -Frase/Palavra mais dita: “Aham, deixa eu te mostrar o que é que...”
 -O que achou do selo: Lembrei dos “disparates” da 7° série. Eu lembro que era divertido responder essas perguntas. Às vezes me parece a mesma história com outros personagens ou os mesmos com outro figurino.




















quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011















Datas são pretextos para as memórias
(e para as saudades)
...










terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Basta apenas uma palavra para romper a folha virgem
como se apenas um beijo (seu me) valesse toda a noite
Se todo amante realmente amasse
se o coração não mais batesse e sim pulsasse
se todo choro fosse de rir
se as causas perdidas tivessem para onde ir


Basta apenas uma palavra para se estrompar o silêncio
como se o desejo não valesse por apenas um dia
se todo amor fosse amado
se o coração que partiu voltasse
se ‘pra sempre’ fosse todo dia
se em todo sorriso coubesse alegria
se o único perdido fosse o medo




sexta-feira, 14 de janeiro de 2011





Saudade é um crime que não prescreve...








sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pérola

Enfim a solidão me deixou viver
Largou-me à contemplação do meu não mais sofrer
E agora sustento-me ao seu sorriso
Em meu dias, meu vício
eternamente se traduz a você

E és tão bela
beleza esperta que recobre o amor
E és tão minha
mergulhando-me ao meu esplendor
que é o amor...

Singular em meus reais pensamentos
Nunca ausente um só momento
Nos versos do meu coração

E és tão bela
beleza esperta que recobre o amor
E és tão minha
mergulhando-me ao meu esplendor
que é o amor...




                Houve um tempo em que fui adolescente antes de perceber que eu ainda sou criança e que as músicas eram canções que a gente mesmo escrevia e gravava em fita K7 porque não confiava guardar na memória. Uns 10 anos depois  as fitas se perderam junto com alguns sonhos, mas algumas memórias ficam, como se ousassem ter a pretensão de se ser imortal...

Letra e música: WGabriel Oliveira(eu mudei só umas duas palavras nos últimos versos)
Do tempo que ele carregava os adjetivos“literato, poeta...” Eu era só o “amigo do poeta”, quase  Sancho e Quixote em contos por amor às causas perdidas...
Arranjo: Hilário Ferreira
(a música com melodia pronta nasceu com um violão de nylon.
Um dia o nylon virou aço.Eu sempre a imaginei com um piano também e aí acrescentei tais teclinhas. Os teclados foram espontâneos junto com o backing vocal no refrão, o baixo tinha a companhia de uma bateria que ficou inviável de ser gravada. As guitarras foram escritas depois de brincar de estudar os modos gregos. A voz ficou mais rouca, mais velha, mais alérgica e fora de forma, um dia eu canto “Voltei a cantar...”)










“E quem sabe um dia eu escrevo uma canção pra você...”


















quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

E no terceiro ano ninguém ressuscitou...






     Há três anos, quando se deu a concepção do blog eu me via incomodado com o anagrama estético polifônico que o trio do MUSE havia feito com o RADIOHEAD, QUEEN, RAGE AGAINST THE MACHINE... Hoje o incômodo virou encanto, como se do desprezo nascesse uma paixão. Na verdade, acho que o desdém inicial era prenúncio de um afeto a posteriori. Ao perceber hoje que há três anos coloco algumas idéias por aqui(tá, lá vem de novo... tive aquele “plim”, porque insight é coisa de...) sim, no clima de fim de ano, que antes era balanço do ano, agora é DLPA( Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados) e risos de tão irônica que é a vida. Eu que não sou mais irônico de tão irônica que é minha vida, fico surpreso como as guinadas e as inversões de sentido, direção e sentir me trouxeram a lugares diferentes e por vezes aos mesmos lugares.
     Das mudanças estéticas, da ratificação da minha intolerância com a tolerância, do abandono das referências e a construção de referenciais, das abdicações e conquistas... É tão plural que eu poderia passar mais três anos para descrever o que se passou nesses três anos. Eu que envelhecia uns dez anos por mês, hoje, quase que estou remoçando ( e claro que me pego cantando sem mais nem porquê)! Mudança deve ter sido e vem sendo a palavra de ordem pra alguém que muda de endereço na média de uma vez à cada 3,5 anos, mudar deixou de ser um parto(“futuro que se impõe, passado que não se agüenta”)
     A escrita por vezes demandou suas vírgulas, além de várias reticências ( e parênteses). Os sons se fizeram presentes, mas nada que quebrasse a hegemonia do silêncio. As vozes que buscavam o silêncio se encontraram. De “quem canta seus males espanta” à “Não há mal nenhum pra quem canta sozinho”. Agora até acho que a “Vida Parte Dois” nasceu de um aborto, ou mesmo, uma série de abortos paralelos. Reininiciar, formatar tudo, apagar a BIOS, instalar um novo sistema operacional. Acho que até meu hardware mudou, uma vez que perdi cabelo e ganhei peso...
(Pausa. Eu ainda odeio telefone.)
     Por lembrar de música e artes e adjacências, eu me rio por na fase do colorido eu ainda estar no preto e branco...
Acho que por me continuar cego e usar mais filtros, acho que só não uso óculos mesmo para sonhar... Dos sonhos fui lembrando das listas de desejos de outros fins (de ano)e hoje (quase me sentindo velho ou a mais precoce das crianças)acabei trocando os desejos e sonhos por objetivos...
     




sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Ela

                Tudo muito simples. Escrever melodias é mais fácil que palavras, é mais intuitivo, mais catártico e às vezes mais verossímil. Conseguir traduzir em melodias o que sente é indescritível, como se o que não coubesse em palavras fosse transbordado em sons. Desses sons que ainda não têm nome(porque nem precisam) eis a primeira parte de uma canção maior, com outras cores que eu escreverei depois(não tenho pressa, Ela está guardada em mim).. Por hora, vale dizer que isso me veio como resposta ao sentimento que me toma quando Ela me vem, como se de cada passo que Ela desse no mundo brotasse uma flor, como se essa melodia fosse tocada cada vez que Ela se faz por perto...



Ela
(Primeiro movimento





quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"1mano " II

              II



  Não é preciso valer-se da genialidade para concluir que a prevenção é o melhor plano de contingência. O adestramento poupa o criador dos maus feitos da criatura. A disciplina permite o controle, autonomia e a independência. Um homem que é senhor de si mesmo é senhor do mundo. A educação se rege norteada pelo “Princípio da Prudência”(sim, é válida a alusão contábil. Caberia até uma nota de rodapé no mundo Pré-Google). Só quem está preparado para a guerra é capaz de lutar pela paz. A preparação otimiza a ação, o estudo do que já foi escrito germina a escrita vindoura. O exercício redime o homem de seus erros. No entanto, a improvisação recebe uma valoração positiva pelos que se valem do adjetivo humano. De uma forma que só os detentores da onipotência humana sabem, é utilizada a improvisação. O êxito seria creditado à capacidade de improvisação humana ao passo que o fracasso seria responsabilidade do acaso ou da sorte. Ah o acaso, implacável algoz do ser humano! Quando o humano se tornar homem aprenderá a contar com si mesmo e descontar de si mesmo o peso de suas atitudes.
     A pretensão de igualdade, ou mesmo, a falácia do denominador comum. Não seria absurdo ousar dizer a universalização do individual dentro do curral de possibilidades concedidas de forma indulgente à alteridade. O respeito ao outro se dá por esforço. Aquele que hipoteticamente desrespeita se vê refém do preconceito com o preconceito. A utópica ausência de preconceitos hostiliza os que desafinam do coro dos politicamente corretos. Sob a licença e o crachá de oprimido levantam-se bandeiras reativas que precisam negar o mundo como única forma de afirmação. Evidencia-se muitas vezes a opção pelo desejo do “Não” em contraponto com o “Não-desejo”. Os rebeldes sem causa possuem um álibi embasado na intolerante tolerância advinda do “humano”. Dos que utilizam a dor como recurso estético aos que se valem da dor como forma de dar sentido ao que se sente,qual coração que ao pulsar só lateja dor? O vazio acaba ganhando várias formas numa infinita sucessão de formas de se traduzir o nada. A dor virou uma fantasia de boutique para Eles ( que muitas vezes querem ser elas que querem ser eles) que preferem querer o Não ( em uma sucessiva negação da vida) a não ter o que querer da vida. O vazio se “reinicia” e ganha formas e muitas cores que se passam por conteúdo. A superficialidade ganha volume(mas nunca densidade) quando a forma se faz conteúdo.
     Verso que não finda ganha reticências, texto que não acaba vira desdobramento de si mesmo. Como se as idéias orbitassem de forma coloidal e por ironia a gravidade bastasse para que elas caíssem no papel. Texto que prescinde fim carece de continuação.








quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"1mano"

    


     Seria este o adjetivo humano a antítese inerente a nossa existência? O mesmo a nos divinizar com o mérito de nossa criatividade e a nos justificar pelo fracasso de nossas criações.

     A palavra “humano” que demanda ser atualizada à cada contexto social, histórico e temporal. Em um mosaico polifônico de sentidos que não comportam ainda a totalidade do (que é) ser humano.

     Das construções indefinidas de si às estruturas pré-concebidas do alheio se faz presente o humano. Ao tomar o indivíduo como centro das discussões e ao destroná-lo do centro do universo[1] em prol da coletividade. Não obstante, falar sobre o indivíduo é negá-lo. Sob a pretensão de ser universal, ou mesmo imortal para os que se escrevem mais descolados da realidade, se aniquila o indivíduo trucidando o que lhe houver de mais ímpar(primo ou singular) para viabilizar a existência de um denominador comum, muitas vezes mais próximo do surreal que do verossímil.

     Seja o direito, o certo, o bem, o bom ( e seus sensos e sentidos), não se encontra proposição que não advinda de uma preposição. As visões de mundo traduzem visões de si elevadas a enésima potência. A empatia é um recurso argumentativo-retórico que ao supostamente colocar-se na condição do outro nega-lhe a possibilidade de discordar, o que implicaria soar dissonante com si mesmo. “Transvestida”, não poucas vezes, de altruísmo, fraternidade ou algum elemento valorado como superior, a empatia constrói-se como fundamento para a arte de se ter sempre razão. Uma afirmação de si legitimada pelo olhar do outro que me vê sob meus olhos. Uma vez que é impossível sentar-se no “trono” da alteridade, não vislumbro nesse momento quaisquer argumentos que não corroborem tais proposições sobre a relação empática. Ratifico que a empatia é um recurso para se manter a posse da razão. Ao simular a posição do outro “transvisto” minha posição como alheia retificando os inconvenientes argumentativos e consolidando a razão como posse minha.

     Ah, a didática, as parábolas, as alegorias, às metáforas... ode ao subentendido e suas orgias com as entrelinhas...
“-Calma, não é o que você está pensando!” Que inversão da situação de berlinda! A vítima agora é algoz! Ao ter plena ciência do meu feito desloco-me para o ponto de observação do outro com a prepotência de prever seus pensamentos e absolver-me antes de qualquer acusação e julgamento sobre meu feitio. No entanto. A defesa sem ataque manifesto é mais que confissão, é condenação. O meu olhar sob os olhos alheios diz mais de mim que do outro.

     Ainda há acordos tácitos sendo assinados no “arrepio” de nossas consciências , enquanto os “homens” dormem, os “humanos” fazem a festa. Os valores acordados pelos homens como nobres ganham licenças poéticas no instante em que todas as cores combinam, quando todos os gatos são pardos, na penumbra da percepção, consegue-se a carta de alforria para o impraticável, quando tudo que ainda não foi proibido é permitido.
     O efeito etílico, o efeito de grupo, os entorpecentes do espírito e do corpo, as religiões, as excludentes, os excluídos, os direitos humanos para os que optam por caminhos tortos e as “humanizações” de que se valem os meninos quando tentam se passar por homens.

     Transformar isso em algo concreto é transtornar estruturas frágeis, mas já consolidadas há tanto. Seria leviano privá-los do pouco que têm. A indiferença, por mais que soe como omissão aos ouvidos mais afetados, ainda é um solvente universal. Humanizar relações muitas vezes implica tolerância com o intolerável[2]. É clichê ver a evocação da “Liga da justiça dos Direitos Humanos” para a proteção dos animais que estão na iminência de serem sacrificados. Quiçá seja preciso doar um pouco de humanidade para os mais desumanos; nessas horas em que o herói(“Super-Humano”), sob os holofotes a iluminar seu altruísmo e fliantropia, doa poções de humanidade às porções mais desumanas da humanidade  Quisera que houvesse menos luz para que não ofuscados pudéssemos ver a culpa e o egoísmo procurando uma válvula de escape. No entanto, também seria possível a percepção do espelho, e Narciso continuaria aplaudindo, em uníssono com sua apatia, a sua empática televisão.
    


[1]  Outrora , quando os pais da ciência enfrentavam os santos, foi descartada a idéia de que o universo girava ao redor da Terra, agora o universo gira ao redor do homem segundo as cartas de pais de santos. (Eram os deuses astrológicos?)
[2]  “Um homem só senta à mesa com sua família ou seus amigos.”

domingo, 2 de maio de 2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

De como e quando as respostas ganhavam mais sentido que as dúvidas...













“Âncora, vela
Qual me leva?
Qual me prende?
Mapas e bússolas,
sorte e acaso,
Quem sabe (?)
do que depende?”
Gessinger


         






      De como e quando as respostas ganhavam mais sentido que as dúvidas. Acho que só escolhemos no que vamos acreditar e pronto. Meio que do princípio da confiança mesmo: acreditar sem precisar entender nada. Outrora se acreditara na astrologia e magias, depois se acreditou na religião e hoje se credita à ciência a competência de delegar verdades. Saindo do macro( há muito saí da Sociologia) e caindo no micro( há bem menos caí na Psicologia), não é do lado de fora que acontece o “big bang” nosso de cada dia . (Vontade de citar as fontes, mas acho que se eu citar uma vez... Fico me rindo de quem falou “só uma vez” diante de um “moto perpétuo...”) “Ok, você venceu, batata frita” e “Ao vencedor, as batatas...”, eu cito AAs fontes só por hoje. (Uma “Blitz” e depois um “Machado”). Quando se olha pro lado de fora da janela, quando eu espero que o sol bata na janela do meu quarto, ( odeio literalmente quando isso acontece e antipatizo com o “bundismo” transvestido do Renato nessa música. O cara secciona a idéia budista para caber em uma música de auto-ajuda. Tenho meus receios diante dos “Leitores Van Gogh”, aqueles que lêem só a orelha do livro.). Pelo visto, hoje é dia de afetação pelo “rhabdovírus” e vou morder todo mundo que passar pela frente das minhas idéias. Retomando aquilo que eu estava falando (mal),  quando eu coloco o meu olhar na janela eu tiro os olhos do que há dentro do quarto. Eu quero mudar o mundo lá fora e esqueço das mudanças do mundo aqui dentro( ênfase no terceiro mundo que fica do lado esquerdo do peito.) Acho que o “Deleuze ou Guatarri”, (sempre confundi os dois, como quem confunde dupla sertaneja) que falava das micro-revoluções, as  pequenas revoluções individuais que podem mudar o mundo e não a “grande revolução” que ambiciona mudar todo mundo. Na verdade, acho que essa idéia é um plágio da idéia do Johnn Lennon que uma vez disse: “So start a revolution from my bed...”, aí aquele carinha arrogante que toca guitarra (Ha! Nem sou eu dessa vez...) fez uma música (Don’t look back in anger) a partir disso. Bem copiado mesmo, o cara admitiu mesmo , a tonalidade e a introdução é quase um parônimo da música “Imagine” mesmo, disse que tinha pegado do Lennon mesmo e que o sonho dele era ser a Yoko Ono... Pelo menos ele admitiu, mais nobre e mais digno. (Ainda bem que eu cito as fontes.) O que vai me encantando é que de uma frase (“Dizei uma só palavra e serei salvo”... o legal é que ele não disse qual era essa palavra...), se constrói um mundo de idéias. Eu imagino a despretensão do John ao dizer isso. Excetuando-se a possibilidade de erro, acho que ele falou em uma entrevista qualquer que o Gallagher ouviu e tomou pra si, como eu tomo de empréstimo agora nesse texto. A força de uma frase, de uma palavra. Acho que quem a diz não tem a dimensão da força que ela pode carregar ou agregar, porque às vezes, uma palavra muda tudo, (“parte o silêncio e quebra o coração”) muda a estória e muda o curso da história, muda o mundo e muda todo mundo. Porque às vezes só é preciso uma palavra, às vezes só é preciso um “Sim”...









sexta-feira, 23 de abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Da minha espécie em extinção...

“A insônia é um sonho que não acaba”?


     A insônia é um dispositivo criado pela escrita para vir ao mundo? A insônia é a cara metade da solidão? Os quartos escuros estão cheios de quais vazios? Das alcovas dos que escrevem, das cabeças cheias e corações vazios de outrora, haveria, à revelia, alguma epifania nisso?
     Drogas para dormir, drogas para ficar acordado, drogas para ficar legal, drogas para parar de tomar drogas, a solução para as drogas da vida cabe em um comprimido? (A alegria e os sorrisos podem ser comprimidos?) A vida em um apartamento, o medo protegido por grades, as pequenas pessoas e suas grandes cidades com idéias de concreto e afetos virtuais, e de mais quantas formas o medo se vale e se passa por violência, egoísmo e fantasia?
     Quanto vale a vida, abortada ou sintetizada, emulada? Esse “The Sims” que jogamos off line, onde estão as vozes acapella orgânicas cultivadas no deserto (e/ou em alto mar) longe dos “fast foods” e “fast fucks”, da vida sintetizada pelos MAC Donald’s e pelos MACintosh?
     Ah, minha espécie em extinção... à minha espécie em extinção,  que(m) resta de nós mesmos? Um chamado, uma chamada telefônica, um grito de socorro, um sinal de fumaça, um sms, um MSN, um código Morse, um pombo correio, um telefonema, um telegrama, um email, uma carta, uma mensagem numa garrafa ao mar, um olhar, um som, um sim, uma entrelinha...




domingo, 18 de abril de 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010






"...Certos dias têm cara de vida inteira
Não sei se é do vinho ou da vida
quando fico assim
Outra madrugada perdida
procurando você
procurando por mim..."

Dado Villa-Lobos






  Sem hesitar, ele é o pior guitarrista que eu conheço. Eu sempre senti vergonha por ele tocando guitarra, até que um dia ele resolveu cantar e a vergonha virou um eufemismo. No entanto, o conheci de uma das bandas mais marcantes em muitas das minhas trajetórias(das musicais às existenciais). Ainda bem que ele insistiu em tirar as idéias da gaveta e publicá-las. Ainda bem que ele fez do receio poesia¹. Ainda bem que ele tocava coisas simples e mal estruturadas, um rascunho do que poderia vir a ser uma música mesmo. (inerente da escola punk).Se ele tinha coragem de tocar como tocava/toca e se dizer guitarrista, eu poderia ter coragem para também tocar guitarra. (Eu insisto em cada erro e ainda me passo por inteligente). A entrelinha aqui, desse rascunho(escrito no blog e não no word), é que a insônia cansa, esperar o sono cansa, sonhar só acordado cansa e a madrugada em claro é um cansaço que se reflete por todo o dia. Queria eu mais sono e menos idéias, segundo Simpson, H., a felicidade é inversamente proporcional ao montante qualitativo e quantitativo de idéias de um indivíduo. Concordo, não ouso dizer não, se fosse mulher seria como "daquelas  mulheres (do Chico) que só dizem sim", e hoje nem é o dia de dizer não. Lembro da célebre história de que o Dado entrou na banda( e na história) e nunca havia tocado guitarra. O Renato dizia: "Faz o barulhinho que tá bom..."( Quase uma teoria: "O cara errado na hora certa"). Dessas histórias de outrora, espanta e encanta ver que do guitarrista medíocre musicalmente não me recordo nenhum solo ou acorde ou timbre ou algo "guitarrístico", só algumas palavras, que ele por despretensão ou "por amor às causas perdidas"² escreveu isso  e ousou dividir comigo e com o mundo; e isso ecoa como um delay infinito³ nos meus ouvidos...



























1- No sentido grego, de poiesis.

2- Dom Quixote de la Engenharia Hawaiiana.

3- A melhor maneira que eu encontrei de parar esse efeito de guitarra é desligando o amplificador da tomada.





quarta-feira, 14 de abril de 2010

Dos erros e quase acertos...





     Ainda que em exercício de indiferença ao alheio, incomodava-me algumas organizações de mundo ao meu redor. Não que agora eu tivesse a posse da verdade ou tivesse rasgado minhas leituras de outrora e agora me tornasse senhor e definidor do bem e do mal. Incomodava-me algumas inversões, se “por amor às causas perdidas[1]”, cederia uma licença poética, mas no entanto, era apenas “peixe fora d´água, borboletas no aquário”.[2]
     O desdém alheio por aquilo que aos meus olhos parecia perfeito não era de agora e já não me era problema. Mas tarde da noite, antes do sono, quando ainda é cedo para sonhar, algumas imagens e sons me saltavam as idéias (na ausência de carneirinhos e cercas). Indagava-me sobre as construções embasadas em conjunturas e não em estruturas. O cara errado no lugar certo e na hora certa; o silêncio fazendo se passar como a palavra certa; a voz do povo e o equívoco divino; e a história acontecendo “com ou sem você[3]”.
     As melhores cartas na mão do pior jogador, um expediente válido para o equilíbrio do universo? Ainda que a derrota seja inevitável, ainda me é possível escolher não jogar. Como na infância ao se jogar vídeo-game e diante do intransponível desafio: “-Quem foge vive para lutar de novo”. A idéia do “All that you can’t leave behind[4]” mesmo, de que só é meu aquilo que eu posso abdicar.(Já falei disso outrora por aqui.) E a solidão das pessoas é minha, o medo do escuro, as dúvidas e a inconstância de quem muda de idéia como quem muda de cor. Do meu monocromatismo só me é possível ir de um extremo ao outro, há tempos perdi o meio termo das coisas, o meio do caminho que tinha uma pedra, o meio que justifica o fim. Não sei escrever “Talvez”, ainda que durma abraçado de conchinha com a dúvida, apenas conheço o não e o sim, a verdade ou o silêncio(fiz um curso à distância há três primaveras para desaprender a mentir), a folha em branco ou a poesia da alma (a vida é escrita em definitivo e eu gosto é do rascunho e das coisas rabiscadas), na ausência da outra metade, só me resta ser por inteiro.[5]
     As tradições que eu inventei para traduzir a minha busca incessante pelo novo. Talvez isso explique o adjetivo inconstante em mim: o desejo pelo novo talvez demande desequilíbrio para viabilizar a concepção de um reequilíbrio. A tradição, numa atitude antropofágica, implodindo-se hoje para construir novos horizontes amanhã.
     Como imprimir acertos em um cotidiano usurpado pelos erros de um passado que não me foi possível viver? Sobrevida outrora, das cinzas e escombros se faz algo novo. Por se dar um novo sentido à matéria das coisas, pela mudança ocorrida no observador e não no objeto. A grande revolução do mundo e da humanidade acontecida no lado esquerdo do peito, em um coração que aprendeu a pulsar e (de)bater(-se) sozinho e em silêncio...









[1] Engenharia hawaiiana, Dom Quixote...
[2]  Engenharia hawaiiana, ... de la Mancha.
[3] Você também, aquela música que fala tudo sobre a “paixões cruéis desenfreadas”.
[4] Você também, o disco de 2000 que fala sobre perdas e finitudes.
[5] Algumas notas ficam nos parênteses e nas entrelinhas.