segunda-feira, 30 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
Você como uma canção em tom maior
Em meus dias
Toque com suas cores
A sua mais bela melodia
(de si mesma e por si mesma)
Serás minha paz
Serás (por) minha vida
Meu pensamento ao seu lado
E minha boca em seus lábios
Venha e prova de si
Tocando em mim
Cada gesto, palavra, som, sim
És verso de minha estrofe
Sou acorde de tua harmonia
És ritmo para meus passos
És o destino de meus dias
Ousa e vai além
Prova de mim
Que se reconhece em ti
Deixa teus pedaços
Se prenderem em nossos laços
Deixa teu corpo ser
Abrigo pros meus lábios
Mata essa saudade
Mas não me mate de saudades
Deixa acontecer
Nos deixa sermos
um só segundo
é suficiente para a eternidade
quinta-feira, 5 de março de 2009
Da pergunta que não quer calar
À resposta que vem a calhar
Eu não sei dizer não
Mesmo que me custe
Um novo teto à cada noite
E o mesmo sonho (por) todos os dias
Eu que me canso de ser eu mesmo
Que me fadigo com minha existência
Quando não há muito
(nem me resta ser pouco)
Insistia em desistir
E como se minha força estivesse
Além de minha vontade
Esta que por si só subverte as lógicas do acaso
Assim não me sendo possível falhar
Eu sou além do que um dia quis ser
E ainda estou aquém daquilo que posso vir
A ser
A reinvenção de meu passado
E uma atualização (presente) de meu futuro
Mas, me afasto de mim mesmo
dois passos à frente e um para trás
(só para apagar meus rastros)
Como se isso (tudo) me concedesse algum abrigo
P s- O quanto da gente se perde em uma lágrima?
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Não que aqui haja muito
Haja vista, há mais coisas ditas no silêncio que nas palavras
Do tédio se concebe personagens
Alentados pela solidão
Com pitadas de narcisismo mal resolvido
Não que os personagens sejam auto-biográficos
Criar um personagem para falar de si mesmo
Seria como masturbar-se pensando em si mesmo
Mas aqui são apenas texto
Sem cores, sem música
A beleza está nos olhos de quem lê
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Eu juro que ia te mandar um recado cheio de uma pluralidade semântica que até eu ficaria envolvido com a multiplicidade de sentidos das palavras aqui colocadas.
Eu juro que ia escrever o verso mais bonito numa tentativa de que as palavras fizessem o que eu não sei fazer.
Eu juro que ia bancar o herói e dizer o que precisava ser dito na hora certa.
Eu juro que ia desinventar o errado e patentear o caminho certo.
Eu juro que ia ser claro e direto e não dar voltas ao redor de mim para chegar até você, o que seria em vão, porque o meu destino independe do caminho que sigo.
Eu juro que ia demandar sua presença como quem deseja a mesma pessoa todo dia.
Eu juro que ia dar o próximo passo e seguir pelo caminho certo, o que é indiferente, se por onde vão meus passos, se até mesmo o ato de me perder é só mais um caminho para chegar até você.
Eu juro que ia fazer isso acontecer todo dia...
Mas juramentos precisam de testemunhas, como alguns crimes precisam de cúmplices...
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Do meu lado
E agora em mim
As incursões que você fez
Em meus dias
Pra minha vida
Que (es)corre até você
O que estava só de passagem
Mas fi(n)cou em mim
Dos olhos para a alma
Da alma para a vida
Ser inteiro, ser pleno
E ser teu
Você que transforma
Meus verbos em ação
Você que se faz melodia
Para minha canção
O meu abrigo na sua dúvida
Me fiz refém das suas respostas
Você que via o impossível
Em cada forma de tentar
Mas há dias em que é impossível
Quase não se apaixonar
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Se
SE (Versão II)
R.Veras/ Hilário Ferreira
Seria tão mais fácil se você tivesse dito sim
Seria tão mais fácil dar meus passos nesse turbilhão
Seria tão mais fácil bem mais fácil mesmo para mim
Ouvir, tocar, seguir as demandas do meu coração
Porque você tinha a chave, você tinha achado
você...
(...dizei uma só palavra e serei...)
Porque você tinha a frase, você tinha achado
O porquê...
Você tinha a chave
você tinha a frase
o onde, o quando
e o porquê...
Porque você tinha a chave, você era a chave,
Você...
Seria como entrar pela porta da frente
Não ter que subir o telhado
Seria ir dormir como toda a gente
Deixar as madrugadas de lado
Seria como um rio seguindo a corrente
Não esse lago emaranhado
Seria viajar Peter Pan & Wendy
Poupar-me um quarto dilacerado
Seria bem mais fácil se minha sorte me dissesse sim
Os mesmos personagens
E(m) outra história
Com final feliz
Seria o mesmo sonho
(com) outros passos
e nova direção
Ouvir e tentar (im)pedir
O silêncio desse coração
E se a segunda chance
tivesse todo mundo?
De quando em quando, de lance em lance,
ou por mais de um segundo
eu pudesse acertar
se ao invés de dormir
eu pudesse sonhar?
Se no lugar de partir
a gente pudesse ficar...
Olhai os lírios do campo
Nada é o que parece ser
(olhai os livros no canto
Eu só percebo o que eu quero ver)
Meu veríssimo amor
Desdobrado em pedaços
Ps- Música da banda Deveras. Se daqui me faço um caderno (d)e rascunhos, eis que mais uma página saiu da gaveta.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Menos para mim é mais...
Menos para mim é mais. Eu sei que pode soar como discurso que se coloca fazendo apologia à mediocridade, mas não. Mesmo que seja, não mudarei minha fala por receio em parecer ridículo.
Falo que menos para mim é mais, quando afirmo o quanto não preciso pactuar com muitos dos imperativos que tentam coagir muitos dos nossos dias. Não cabe aqui ( e eu não quero e não vou caber) em um amor para toda a vida. Não precisa ser eterno se ele conseguir ser intenso e sincero. Eu não quero um amor para a eternidade. Se algum livro que eu não li assim o disse e eu pareci ter assinado embaixo, equívoco de quem por ventura acho que assim me viu. Não quero um amor eterno, menos! Para mim, basta que seja terno , simples, sincero e leve. Não quero um amor para toda a vida, quero o amor para toda a vida. Sem precisar de testemunhas para selar união, menos! Para o amor que almejo só é preciso mais um cúmplice.
Quando sigo dizendo que menos para mim é mais, é quando digo que não preciso de um rodízio para me sentir saciado. Uma boa refeição não é quando como o máximo que posso ou quando como o mínimo de calorias possível. Eu não sou escravo do meu corpo, se há algum credor que seja o meu desejo e deixemos que o meus desejos desejo eu!
Não se trata de repressão, mas sim uma outra forma de expressão. Uma forma singular de expressar coisas plurais. É sentir se bem por estar aqui. Sem lamentar por estar aquém ou por não estar além. Nem antes e nem depois, apenas agora. E isso já me é tanta coisa...
Menos é mais quando abdico do referencial estético exterior, alheio e coercitivo pré-fabricado pelos meios que não chegam aos meus fins. Eu me apaixono pela garota da contra-capa! Não é o que me disseram ser belo, é o que meus olhos me dizem ser belo e o que meu coração concorda. Sinceramente, eu costumo dar novos sentidos aos meus sentidos. Eu sinto o gosto de sons, eu cheiro cores, eu vejo vozes... Minhas descrições são impossíveis de acordarem com alguma verossimilhança. É preciso que alguém veja por meus olhos para entender o que quero dizer quando falo que determinada cor é vermelha. São tantas cores que emitem tantos sons e cheiros que dizer que é colorido é pouco, só sei que não é (mais) monocromático.
Menos para mim é mais por não caber em meus dias a idéia de que a embalagem define a escolha do produto. Eu não cometeria o mesmo erro duas vezes, na hipótese de comprar um produto sem a qualidade almejada, mas com uma embalagem convincente. Não há aqui a hipocrisia de negar que a beleza não se constitui como um dos fundamentos. Indubitavelmente, é! No entanto, as pessoas mais belas que conheci reinventaram, expandiram, resignificaram o campo semântico da palavra belo. Encontraram tantas outras formas de se fazerem bonitas que até o espelho reconsidera o que vai refletir por encontrar tantas faces de tantas belezas em mais um rosto belo. Há ainda a margem para possibilidade de quem faça apologia de que a beleza física é o que chama atenção no primeiro instante. Pode até ser preponderante para chamar os primeiros olhares de uma atenção perdida, mas não é determinante para prendê-la ou apreendê-la. Essa beleza (física) pode até ser párea para manter uma relação, mas tenho minhas dúvidas se ela por si só mantêm um relacionamento.
Menos para mim é mais quando chega a um ponto que cansa, um ponto na vida em que não preciso estar sorrindo para estar feliz, em que minha alegria não precisa ser gritada para ser gritante. Menos para mim é mais, sou preto no branco, café com leite e feijão com arroz.
P S- Sountrack: Jeff Buckley
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Os dias como um improviso da noite
Que as paixões inflamem
Queimem de uma vez
E nunca se permita apagar aos poucos
O mais intenso como ponto de partida
Para as criaturas da criação
Quero (me) escrever (n)o que é belo
Aos seus olhos
Quero ser matéria-prima
Dos seus sorrisos
Os versos valem mais do que o poeta
De ações que mimetisam seus sentimentos
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Lista de desejos 2
Ele vinha com o mesmo sorriso de outrora, escondia de si uma dor que todos sabiam de cor, mas levava, desta vez com leveza, os dias de agora. Já não tinha mais nada a perder, logo, já não tinha dívidas. Sem credo, credores, dúvidas por demais e afirmações por menos. Era uma fotografia de si apagando as sombras e os passos em falso do passado. Apontava para o futuro, mas residia no presente. Esquecia o próprio nome e queria ser lembrado por sua presença, uma estátua de ar de quem tentava beirar o incapturável.
Poucas demandas, apenas exigia que as coisas fossem o que fossem. Nem mais do que poderiam ser e nem menos do que já eram, sem a pretensão de causar o encanto ou o receio do desprezo, apenas ser em primeiro plano e pensar como conseqüência das ações e não o contrário. Sentir o mundo ao invés de observá-lo e até mesmo vivê-lo abdicando de guardá-lo em caixinhas que muitos rotularam como fotografia e vídeo.
Um ano que acabava, um ciclo que se fecha em um calendário que não (de)marca seu tempo. Os pontos finais que escrevia hoje refletiam as páginas em branco que foram imprescindíveis para que continuasse seu livro. Catalogou erros e só insistiu no que estaria para além do bem e do mal, mas dessa vez sabia que o não e o sim eram a mesma resposta.
Ainda tinha uma grande lista de desejos, mas todos demandavam cúmplices e uma vez sozinho, estaria no máximo na esfera do inviável. Ninguém os via, desconfiavam, mas ainda assim não os percebiam. Não eram desejos secretos, estavam lá, mas de tão transparentes, ninguém (n)os via...
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Lista de desejos 1
Posando de diferente ou de intelectual acho que todo mundo acaba fazendo isso de vez em quando o tempo todo. Eu, enquanto pessoa reconhecida, pessoa reconhecida de meus limites, reconhecida de minhas posses e de quase nenhuma possessividade, acabo cedendo diante dos limites alheios por considerar isso uma superação dos meus próprios limites. Hoje sou praticante da intolerância, mesmo que um dia já tenha, por intolerância com a estagnação, em um passado remoto, decidido exercitar minha tolerância com o que aos meus olhos soaria absurdo. Obviamente, como se fosse algo inerente à nossa espécie, acabei abdicando de mim por outrem que sempre me foi e me será alheio. Se tivesse alguma moral na minha história, sem dúvida ela estaria convergindo para o ponto em que percebo a magnitude desse equívoco. Não aspiro à nobreza ou mesmo a um latifúndio no céu, viver contempla quaisquer demandas de quem abdica da idéia de ser um animal de rebanho. Ratifico meus passos na escuridão, porque já não sou homem de estar sob a penumbra e não me apetece os holofotes ou o lugar ao som disputado por tantos. Ando só, ando e só. Nem há mais, nem há menos, sem espaço para mais ou menos. Apenas sou, ou mesmo, quando muito estou. Não carrego a pretensão de ser o melhor ou a culpa por não o sê-lo. Acordo cada dia mais leve, sem peso ou pesar que me prenda. Dívidas e dúvidas? Passado é memória e o futuro só acontece daqui a um segundo...
Indo ao quem vim, ratifico a proposta deste espaço em dar sentido e espaços para o que pode ser dito em entrelinhas. Um caderno secreto guardado em cima da mesa, de tão exposto ninguém percebe e por aqui se jogam palavras amontoadas que me denunciam em fragmentos de personagens que invento quando canso de brincar sozinho. Coincidentemente, escrevo aqui ao som de “wish list” do Pearl Jam o que poderia soar como carta de natal se essa música pudesse ser por um instante uma canção natalina. O meu intuito, uma vez que me rendi ao encanto do Natal, era enumerar por mera despretensão as coisas que poderiam conter em uma lista de desejos que não precisaria no Natal para acontecer...
“Eu queria ser o souvenir sobre o qual você guarda
a chave da casa.
Eu queria ser o pedal do freio do qual
você dependesse.
Eu queria ser o verbo "confiar" e
nunca te decepcionar.
Eu queria ser uma canção de rádio, a única
Que você sintonizou....
Eu queria, eu queria, eu queria,
eu queria... (eu acho que isso nunca acaba.)”
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Dizem que personagens são as representações de um coração que se (de)bate sozinho...
Ontem à noite uma canção me lembrou você. Tava tocando com uns amigos e ela apareceu e trouxe junto um filme com um monte de histórias e um monte de crônicas inviabilizadas pelo tempo... mas foi uma recordação boa e terna, como se algo nobre me assaltasse por um instante, me elevando por alguns segundos para que eu não me afogasse...
Não podemos ler o que nos toca?
Então, será que poderemos tocar o que lemos?
Sem festival, apenas atividades de cunho acadêmico. Essa é minha alcova, sem correntes ou grades, aqui pareço (e padeço) estar de bom grado.
Amigos que eu não conhecia estão em minha casa, algumas pessoas chamam isso de intercâmbio.
Dentre outras coisas, eu começo a olhar sério para as coisas e para o tempo. (Comprei até um relógio para ver o quanto eu estou atrasado.) Eu descobri onde alguns dos meus medos se escondem, não sei quais são, mas sei onde se escondem... Hoje decido que não tenho mais medo dos meus medos e desafio a verdade a ser mais sincera que essas palavras... Eu tenho um livro de páginas em branco e algumas palavras só existem na primeira pessoa do plural...
Saudade é, talvez seja, a primeira delas...
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Os espíritos livres aprenderam a voar
Já não tocam mais o chão
Não estão mais
bem
Já deixaram de estar mal
Nem mesmo estão para os olhares
A esmo monocromáticos
São o futuro das vanguardas?
Ou apenas mais uma
tempestade
Intempestiva?
O verso já existia
Antes do papel e da caneta
O sentimento é anterior
Ao coração
A música que vinha antes do som
Do encontro que aconteceu antes dessas vidas
domingo, 12 de outubro de 2008
Tão frágil e belo
Quanto a vida
Incerto e vago
Como um sim em silêncio
Constrói teus dias
Na companhia de si mesmo
Verso sem estrofe
Dívidas sem credor
Dúvidas sem resposta
Vítimas sem algozes
A vida tem cheiro de outubro
Depois de um ano chego à primeira página
De um livro
Até a morte tem vida útil
Páginas em branco
À meia luz
Esperança é o que faz do amanhã
O nosso único presente
Que o essencial chegue à superfície
Levando em conta
O contexto dessas imagens
E a textura dessas palavras
A cor do amor
O cheiro do silêncio
Os sons do escuro
Às vezes as noites têm
O cheiro do amanhã
A beleza que reside em seu olhar
As minhas frases sem sentido
E com destino
As cores têm o cheiro de manhã
Os dias (ainda) têm o gosto
Dos seus lábios
A vida conjuga os verbos
E nós nos escrevemos no plural
Das cores de nossas músicas
Pintamos esses versos
Sou metade de você
Que vai tomando parte e partido de mim
(Eu tenho um violão
E você as canções)
Eu sou verso
Você melodia
Eu sou suas cores
Você,
Meus dias...
domingo, 24 de agosto de 2008
A epifania
o sentido para o adjetivo feliz
um eclipse reverso
me empresta um beijo
deixa eu ser uma página do seu diário
fotografa um sonho
respira meu ar
me dá um capítulo do seu livro
nos seus braços, abrigo
me faz amante, amor, amigo...
Escreve rosas
envia pra mim
os desenhos dos versos
dos poemas sem fim
Sente o cheiro do primeiro
raio
despindo a noite
invadindo-a aos poucos
para conceber o dia
O acaso escreve o roteiro
nós dirigimos os personagens
Essa canção fotografa
o que não é dito por inteiro
o que se conta nas entrelinhas,
à margem,
do domínio de qualquer palavra
Vem ser verso em meus dias
me deixa
ser poesia
em tua vida
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Tivesse uma segunda chance?
Se de quando em quando
Ou por mais de um segundo
a gente só pudesse acertar?
Se à meia-noite tivesse sol e
Se ao invés de dormir
eu pudesse sonhar?
(Se) por todas as noites
de todos os dias
Se todo dente tivesse uma fada
(se toda dor não fosse um fardo)
Se as estrelas cadentes soubessem voar
Se toda viagem fosse rumo ao nada
Se todo verbo pudesse amar...
O que escondia dos seus olhos
Mas transparecia nos meus
Nas canções em que me resguardei
Do que temia
Os sentidos
Que se confundiam ao sentir
Que tudo não é o bastante
Quando tudo que eu fizer
Já não me levar à nada
(ou à você)
Quando eu me fizer presença
Na sua ausência
Encontrarei abrigo
Dos corações vazios
Serei o mais próximo
E até amigo
Eu tenho um cataclisma
Guardado no peito
Eu tenho aquele verso
Eu toquei aquela canção
Como se perder de si mesmo?
Encontrar-se ao meio
E pelo meio do caminho
Sem castelos de pedras
E sem moinhos de vento
Todo sentido atribuído ao acaso
O alheamento de si
Por uma empatia com a vida
Fecho os olhos para mim
E abro minha alma para o mundo
Minha vida repugna as luzes
Acessas por medo do (próprio) escuro
Avessas à verdade dos fatos
Atentas à sinceridade das palavras
O pó sob os livros
(você)
Em grãos de poeira em meus dias
As luzes da sua voz
O cheiro do seu abraço
Os sons que precedem o seu suor
O que eu falo tarde demais
Para quem foi muito cedo
A voz silencia
Agora é solo
O diálogo se passa em mim
(passa por mim)
Já não há mais um futuro
Em função de um passado...
