Não teria verso que rompesse o silêncio daquele coração ou surto de coragem que arrancasse algum texto daquela gaveta. Era o segredo mais oculto, a carta nunca remetida, a história sem fim em um texto nunca lido nem por quem o escreveu. Apenas escrito sem mesmo ser revisado para que nunca fosse lido. Um rascunho em palavras que era representativo de si. Ela guardava seus textos como quem guardava a si mesma. Os textos mais belos permaneceriam desconhecidos tal como ela permaneceria. Escondia suas palavras do mundo e assim se escondia também. Em meios aos sorrisos automáticos, as noites produzidas em série, as pessoas pré-programadas, os relacionamentos protocolados... haveria alguém que pudesse vê-la além disso? Haveria texto a ser escrito depois das reticências?
Por algum instante alguém ousou invadir e arquitetou roubar uma das chaves de tal gaveta. Equívoco primário e surpresa ao descobrir que algumas coisas se guardam
a sete chaves. Pretensão demais em acreditar que algo além da superficialidade havia sido dito. Falar cansa, talvez por isso ela cante e escreva o que ela teria a dizer. “Teria a dizer”, como possibilidade abandonada e não “ter a dizer” como vontade a ser concretizada. Só quem desconfia da força do silêncio saberia o que ela tem dizer.
a sete chaves. Pretensão demais em acreditar que algo além da superficialidade havia sido dito. Falar cansa, talvez por isso ela cante e escreva o que ela teria a dizer. “Teria a dizer”, como possibilidade abandonada e não “ter a dizer” como vontade a ser concretizada. Só quem desconfia da força do silêncio saberia o que ela tem dizer.
E das sete chaves ela fez os muros e as grades, e do silêncio ela fez um hábito. Um exercício diário de quem se fortalece com a própria solidão. Havia um riso cada vez que pensava nas pessoas que se alentam das solidões alheias. Sozinha ela tinha um exército ao seu lado e um campo de batalha no lado esquerdo do peito.
