segunda-feira, 3 de outubro de 2011








Curso de oratória é para os fracos,
os bons exercitam o silêncio.









segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Resetar os protocolos

Como seria se a vida quando desse erro bastasse resetar os protocolos? No entanto, isso demandaria de mim a coragem suicidada e a covardia romântica de acreditar em reencarnação. Por um lado até paradoxal ou por outro apenas um desdobramento lógico. O suicida dar cabo à própria vida por acreditar que encontraria um fim para seu sofrimento. Se ele acredita que a existência transcende a vida bastaria apenas reiniciar o sistema cada vez que ele travasse.

A morte como solução para a vida nunca me pareceu tão simples! No entanto, ainda me é complicado acreditar que depois do fim é que estaria o começo. Não sei a vida é chegada a outros sinais de pontuação além do ponto final. Colocar vírgulas ou reticências no texto seria como conceber histórias sem fim e acho que sobrariam páginas e faltaria espaço para novas narrativas nesse mundo. Ainda me pergunto se a dúvida sobre vida após a morte seria da mesma ordem das dúvidas fetais se existiria vida após o parto. Isso sempre descontruía o argumento de que ninguém voltou do outro lado para contar ou provar como é que é (ou como não é).

Não que eu não acredite que não exista. Eu fico com o benefício da dúvida e abdico da dívida para conquistar a vida eterna. No entanto, se for acreditar em algo: eu acreditaria que não existe. Eu acreditaria no nada e no vazio. Quaisquer hipóteses diferentes seriam eufemismos para quem prefere desejar o nada a não ter nada para desejar. Sem dar muita densidade a isso. Eu desconfio da superioridade desses grandes valores em que a mediocridade parece se camuflar. Não há desesperança ou pesar por isso; não há dor ou medo. Se eu estiver certo, não gostaria de viver o breve tempo que temos imaginando, loteando e negociando a “pós-vida” que não teremos.

Se eu tivesse a fé para acreditar nisso seria também louco o suficiente para não hesitar diante do suicídio. “Deus é pai, não é padrastro” tudo sabe, tudo entende, tudo perdoa... ainda que me fosse proibido abdicar do meu único bem ( e no ensejo hipotético suicida, meu maior mal) eu estaria perdoado previamente pelo amor infinito e incondicional e teria a possibilidade de começar de novo ou ficar no “stand by” enquanto arrumam a casa.

Se por um dia ou algum dia eu acreditar em algo além da miséria da nossa realidade será o último dia de minha vida. Nesse meu surto de fé teria a humildade de reconhecer as limitações do sistema operacional vida e seu hardware precário “Homo sapiens sapiens” e resetaria os protocolos.







segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Um tiro no escuro
nessa história eu sou apenas figurante
Não tenho rotas de fuga
nessa história sem roteiro
Não me é dado tempo
para sentir medo
Não tenho a liberdade
de me sentir preso


Um tiro no escuro
e por uma fração de tempo
a luz assusta a escuridão
e faz o silêncio gritar
A bala embala o último desejo
de que a morte seja diferente
da vida que se leva e se deixa levar


Um tiro no escuro
e me é suicidada a possibilidade
de ver no impossível uma chance
de que o inverso desses dias
seja  mais (que) um verso
perdido e esquecido
na gaveta das ideias
e dos sonhos




quarta-feira, 7 de setembro de 2011





Como nascem os anjos?


Do amor
de quem sonha?
Do sonho
de quem ama?


Da saudade de quem não foi
da lembrança da vida que poderia ser
Daquele que sempre se perde
naquela que nunca se encontra


Como nascem os anjos?


Da liberdade em um caminho só de ida
ou da paixão que germina um amor?
De um verso que escreve uma vida
ou do inverso em que se inscreve o autor?


Das entrelinhas e seu silêncio escondido
ou do impossível que faria sentido?

De um beijo que encontra um sorriso
ou da palavra dita no altar?
Do espelho que encontra Narciso
ou da palavra interdita no autor?

Do sonho
de quem (te) ama?
Ou do amor
de quem (te) sonha?


Como nascem os anjos?






quinta-feira, 1 de setembro de 2011





Encontrar com você por acaso...



Até quando se quer
e até quando não se quer
ou quando não se quer querer
e quando não se quer não querer


Em nosso caso,
nosso  encontro
é mais que um caso
Do acaso que se curva diante
do nosso desejo por escrever
uma história sem fim na terceira do plural
em que a gente se perde à cada encontro
e se acha no descontrole
por saber que no fim
só os desejos fracos
podem ser controlados
e enfim é que eu posso


me encontrar no acaso por você






sábado, 13 de agosto de 2011

Abilolação




A loucura
como um passe de mágica
como um impasse mágico
em que se perde mais do alheio
para ganhar mais de si mesmo



Não é (se) perder (da) essência do real
é se encontrar no imaginário
um passo em falso no precipício
já não é queda,
é o primeiro passo para o voo
Numa saída que tangencia a entrada
como se validasse
uma premonição do passado



O medo da loucura é cria da sanidade
em alhures da própria
ou na alheia propriedade
não se perde e não a perde
aquele que não a tem


Li da vida que por si só é válida
mas quem se vale da solidão
na vida?







quarta-feira, 10 de agosto de 2011






"...âncora, vela
qual me leva?
qual me prende?
mapas e bússolas
sorte e acaso
quem sabe (?) do que depende?"










sexta-feira, 5 de agosto de 2011







Tomado por uma alegria que de tão sincera,despretensiosa, inocente e plural que chega a se confundir com felicidade me fazendo acreditar que alguns dias poderiam ser representativos da vida que eu desejo em mim.  Dos atos a realizar, dos fatos acontecidos, do que eu consumo e do que me é consumido, como se por alguns instantes ficasse mais claro que viver é mais importante que ser feliz. Nem a clarividência,a iluminação ou a epifania, mas a serenidade de quem aceita as suas dúvidas como possibilidade de força motriz e não como impossibilidade que nos estanque.



Os acordes tocados e os acordos que me tocam, ainda que tácitos como os poemas guardados na gaveta ou as canções que canto em meu quarto longe da plateia voyeur que se satisfaz com o gozo alheio e ainda mais distante daqueles que precisam exibir a felicidade para que esta seja validada por terceiros e assim se torne mais verossímil ou menos fugaz. (Algumas coisas só se dividem com o silêncio.)


Dos dias mais intensos e das noites mais tensas, das histórias com reticências já no primeiro parágrafo, dos “poemas com notas de rodapé”, dos números da matemática discreta e efêmera como se alguns sonhos fossem meras estátuas de ar, das variadas energias que encontro, das várias leituras paralelas que em mim convergem como se me fosse possível ser parabólica e dínamo; homem e criança; poeta e cientista; médico e louco; criador e criatura; autor e obra; mentiroso e sincero; vítima e algoz; professor e aluno; amante e amado...   






          

quarta-feira, 3 de agosto de 2011








A ambiguidade 
mora em quem lê 
e não em quem escreve.












terça-feira, 2 de agosto de 2011






Versos que esperam melodia
amizades que esperam parceria
solidão que espera companhia
saudade que a espera todo dia








domingo, 31 de julho de 2011









'Rinietzsche' alérgica...



por ter afeto por livros velhos,
por gostar das janelas abertas e
'por amor às causas perdidas'...







terça-feira, 26 de julho de 2011








"Sonhos, além de histórias pra dormir
são o pedaço da vida que nos vive"








quarta-feira, 13 de julho de 2011

Precisa-se de alguém para continuar um diálogo...


Das traduções para o “Übermensch”...



Na falta do que fazer, eu brinco com palavras (fiz até um blog) e no meio disso vou ler a origem dos prefixos, uma vez que a solidão é mãe dos mais estranhos vícios. No meu sonho de infância (da vida acadêmica), a ‘Cia das Letras’ traduz o "Also sprach Zarathustra" e ao invés de usar o prefixo "super" e fazer a tradução podre e pobre de "Super-homem" é usado o prefixo "ultra" que significa "além de" e teríamos o "Ultra-homem". (Resolvida a forma quase cacofônica de "o Além-do-homem")


Super, de onde é oriundo ‘superior’ daria a idéia de intensificação indo de encontro ‘a proposta nietzschiana exposta pelo ‘Übermensch’. Super-homem seria uma palavra mais representativa dos homens superiores, os homens nobres, ainda aquém do ‘Übermensch’ ou Ultra-homem como venho propor.



Ainda que considere minha proposta demasiadamente válida não desconsidero que a franquia Superman é mais popular que a franquia nipônica do Ultraman e por uma questão cultural-política de deixar as coisas mais "americanaiadas" segue o nosso querido 'Übermensch' distante da nossa realidade provinciana.







Ps- Na contra-mão do que eu achava, no inglês eles usam "over-man" e eu jurava que eles usariam "beyound", como se o erro alheio justificasse o nosso.

Ps2-Eu acho que o Jaspion é mais popular que o Ultraman...

Ps3-Lembrei que não tratamos de um animal de rebanho, prescinde-se popularidade por essas bandas.

Ps4-Virou um texto (um post, um post it) na esperança de que não seja apenas um monólogo. Dessa vez eu me senti realmente colocando uma mensagem em uma garrafa...






quinta-feira, 7 de julho de 2011







   Não há inspiração aqui, trata-se de expiração. Eu assumo para os devidos fins (e indevidos meios) a responsabilidade por isso. Não há fonte, musa ou topada inspiradora, aqui as palavras são expectoração, exteriorização, transbordam, sangram, derramam-se e derramam-me. Quando se inspira o ar é necessariamente ar que vem de fora. No entanto, quando se expira... mas ainda acho que ‘transpiração’ seria mais preciso por ser ‘algo além da piração’, uma vez que estou me valendo de pirar no sentido de fugir. (Vende-se um neologismo semântico.) Dentre tantas barreiras, filtros e lentes, vem a escrita como expressão de liberdade, como exercício de si mesmo, o outro criado para narrar uma idiossincrasia do eu. Não vem de fora o que é impresso e expresso aqui. Não cabe o adjetivo inteligente ou articulado por serem da esfera do racional. Aqui não apenas se fala; se expressa, se coloca, “palavra por palavra eis aqui uma pessoa se entregando”, é sensitivo, é um exercício estético. Não seria válido rotular como diário por ser atemporal muito do que é dito, ainda que se saiba que “Certos dias têm cara de vida inteira...” Recurso expressivo, talvez denso, mas ainda leve o bastante para que me seja possível voar. Até mesmo porque, o que há de mais profundo aqui tangencia a superfície, uma vez que a essência é apenas mais uma conjuntura da existência, como se fossem possíveis fotografias da experiência colecionadas em um álbum com o título de essência. O ideal e a essência são apenas recursos discursivos, a experiência é o crivo, critério e as balizas da existência. A vida prescinde quaisquer temporalidades aquém e além do presente.











sábado, 25 de junho de 2011






           De encontro às formas de construção que se viu outrora, 'construir muros ao invés de pontes é mais fácil que tentar sorrir' (frase que martela na cabeça quando ouso dormir) faz menos sentido nos dias em que a vida me sorri. Nos dias em que se acha que alguém  leu a mensagem na garrafa, que algumas coisas não precisavam nem mesmo fazer sentido porque só bastavam ser sentidas, nos dias que troca a expectativa do novo pela perspectiva nova, como se aquele mesmo quadro de outrora por outros olhos de agora formasse uma nova imagem. 
       Segredo e silêncio,
 ao
encontro da dúvida dividida com a vida de quem acredita que há algo ou alguém que vibre na sua mesma frequência, que se afine com suas afinidades, que aponte para o mesmo ponto de fuga, que transborde na mesma vazão, com quem se divide os dias pela mesma razão.
        Arte do encontro? Nada se perde, tudo se encontra...











terça-feira, 21 de junho de 2011






A vida prescinde o sonho, 
mudar é acordar com si mesmo e os imperativos 
da presença do 'Novo'.








quarta-feira, 15 de junho de 2011







O silêncio às vezes se apresenta
como a melhor resposta que um homem é capaz de dar.










segunda-feira, 6 de junho de 2011

A esperança é o primeiro passo para a frustração III




A esperança. – Pandora trouxe a caixa que continha os males e o abriu. Era o presente dos deuses aos homens, exteriormente um presente belo e sedutor, denominado “caixa da felicidade”. E todos os males, seres vivos alados, escaparam voando: desde então vagueiam e prejudicam os homens dia e noite. Um único mal ainda não saíra do recipiente; então, seguindo a vontade de Zeus, Pandora repôs a tampa, e ele permaneceu dentro. O homem tem agora para sempre o vaso da felicidade, e pensa maravilhas do tesouro que nele possui; este se acha à sua disposição: ele o abre quando quer; pois não sabe que Pandora lhe trouxe o recipiente dos males, e para ele o mal que restou é o maior dos bens – é a esperança. – Zeus quis que os homens, por mais torturados que fossem pelos outros males, não rejeitassem a vida, mas continuassem a se deixar torturar. Para isso lhes deu a esperança: ela é na verdade o pior dos males, pois prolonga o suplício dos homens.


Humano, demasiado humano. §71
Nietzsche











segunda-feira, 30 de maio de 2011








Minha psicóloga disse
que eu levo a vida muito na defensiva
e eu sempre achei o ataque a melhor defesa.














segunda-feira, 23 de maio de 2011

Dê uma chance às entrelinhas...






      Dê uma chance às entrelinhas...

     Dê à escrita um espaço maior em seus dias. Deixe a menina falar, não precisa ouvir em seguida, mas deixe que ela te fale. Guarde numa gaveta se for o caso de ler depois, mas não permita que ela só tenha voz por acaso. Dê duas vezes mais espaço à escrita em sua vida.

     Não marque data, não agende, não faça (que seja) diário, se permita serem constantes, fluidos, regidos pelo tempo do desejo, como se fosse orgânico. Por mais que se tenha hora para comer não se tem hora para sentir fome. (Por mais que se adie o momento do encontro não se contém quando chega a saudade).

     Doe uma chance às entrelinhas...

     Não tenha borracha, não há erros, não há crime que as palavras cometam que justifique a pena de serem apagadas. Pena capital para quaisquer palavras imperfeitas é muita intolerância com a inocência da escrita. Aprisione as palavras com o uniforme listrado tachado, mas não dê cabo a quem só deseja existir.

     Do amor do lápis com a folha em branco se dá a concepção do imortal. Não aborte algo que pode vir a ser maior que você. A paixão entre dois corações só demanda existir, não há imperativos pelos adjetivos: certo, perfeito, belo, permitido... O que importa é se permitir, aqui, tudo que se deseja e tudo que se pode ter é a existência. O mundo prescinde o egoísmo das pessoas que se negam até a si mesmas. Do impossível ao possível são só algumas letrinhas a se esquecer.

     Dê sua chance às entrelinhas...















sábado, 21 de maio de 2011

















“A existência é por essência miserável”







Todas as formas de se contradizer, desdizer ou redizer isso são meras alterações conjunturais maquilando uma estrutura indiferente ao otimismo,romantismo e ao que quer que seja alheio. A nova tinta sobre a parede velha não muda o reboco mal feito na iminência da queda. Sorrisos são apenas a exposição dos dentes e lágrimas são só gotas d’água, o que se queria dizer não pode ser dito (ou maldito) por gestos, sons, imagens ou palavras.















domingo, 15 de maio de 2011








"Em terra de cego quem é invisível não tem super-poder"










quarta-feira, 11 de maio de 2011






Às vezes uma guitarra é só uma guitarra,
Uma canção é só uma canção
Ou mesmo, quatro caras tocando juntos não são uma banda, 
às vezes, há bandas de um homem só.


Às vezes o destino selado e ao nosso favor 
parece jogar contra,
mas quase sempre 
só percebemos de que lado ele está  
no final do jogo.


Às vezes se encontra alguém que escreve 
o que a gente sente e se achava único por sentir  aquilo
E nem por isso se sente menos,
dividir um sentimento só soma algo àquilo que somos


Às vezes a dor de estar sozinho 
cede espaço ao prazer de se passar
um tempo a mais consigo mesmo
e de se (re)descobrir encantos
em algum canto com a solidão


Às vezes tudo isso se repete tanto
que não se percebe 
ou quando termina
Apenas se permite ser
e a inércia faz o resto





sexta-feira, 29 de abril de 2011







"Sucesso é o que diferencia a insanidade da genialidade"











domingo, 24 de abril de 2011

Feliz páscoa!




       Por vezes me é inevitável o flagrante de encontrar um exercício válido em transitar por minhas idéias. Pretensão minha achar que eu sou o possuidor e não o possuído de tais idéias. Não apelo à metafísica para uma resposta ao processo criativo, prefiro o viés romântico de que fui instrumento para tais palavras e não o contrário. (Soa melhor essa perspectiva aos meus ouvidos.) Ratifico que a obra é maior que o autor, a imortalidade conferida ao criador é uma extensão generosa de um adjetivo inerente a sua o obra e criaturas.

     Por algumas outras vezes observo como me fiz digno do adjetivo imaculado , por não ter dívidas pretéritas ou a vencer em um futuro imediato ou remoto. O meu livre-arbítrio concebe a minha liberdade de crença na descrença. O ceticismo não adquire cores niilistas, mas se for para tereu acredito em Deus e que ele está morto.

     Desta vez, partindo desse ponto, diante da insubistência do meu credor minha dívida prescreve. Já não tenho de usar o agora( meu maior “presente”) para quitar dívidas de vidas alheias que são minhas segundo a crença de terceiros que não assinam suas próprias obras. Meu espírito se faz livre, de uma forma que poucos[i] associam as palavras espírito e liberdade, de tal modo que não cabe em mim e eu não sou cabível e não caibo em nenhum espiritismo que me ousa cobrar juros e correções de uma dívida que não é minha.

     Mais uma vez um segundo desdobramento desse pressuposto é o consórcio cristão pela Terra Prometida. O agora e o presente são convertidos em esforços e sacrifícios para um futuro que eu não sei quando serei contemplado. Abdico da vida por uma pós-vida? Não há em mim espaço para comprar a idéia desse loteamento celestial, meu contra-senso não se permite a esse bom senso.

     Uma vez que cabe a mim redigir minha própria carta de alforria,  que compete a mim redigir meu destino, declaro para o devidos fins ( e meios) que encontro em mim um senhor de seu domínio, certo que quem demanda pastor são os animais de rebanho e que me alegro com meu presente sem  perdão e sem  culpa. Por amor à vida de uma forma inefável e de uma forma plena, não mais pelo medo de morrer, mas pelo fato de a Vida ser tudo que se pode ter e a única que se pode e se permite amar.


Ps – Reverberações de “Ecce Homo”.
Ps 2- Sem afirmar nenhuma certeza, estar certo é pretensão de quem tem fé.


[i] Nietzsche, o Belchior germânico.

sexta-feira, 15 de abril de 2011








"A saudade esconde um desejo suicida"









quarta-feira, 6 de abril de 2011

"Dream a little dream of me..."

     Era só mais um dia comum. Ele acordara sorrindo como se tivesse saído de um sonho bom. O mesmo café, o mesmo jornal, as mesmas angústias matinais eufemizadas por quem não se olha no espelho quando acorda, o mesmo bom dia... exceto pelo sonho que lhe permitia voltar na vida uns 10 anos. Ao acordar ele começa a sonhar acordado sobre o que mudaria na vida há 10 anos. (Um “spoiler” da própria vida!) Quais caminhos não seguiria? Quais bocas não beijaria? Quais versos (re)escreveria?

     Voltar no tempo seria desnecessário se ele pudesse há 10 anos ter antevisto o futuro que passa hoje. (Um dejavú inédito!) Quais certezas se perderam nesse tempo? Quais certezas de hoje se deseja por mais tempo?

     A possibilidade de mudança sob essa perspectiva adquire novos contornos. O que não seria alterado em sua vida com as meta-mudanças? Quais caminhos ratificar, quais conselhos seguir, pra qual qual história contar? A possibilidade de passar a vida à limpo ainda existe, é uma porta que não se fecha, é uma certeza que não se perde, mesmo que se perca o desejo de mudança.
    
     Ao se ver no passado pelos olhos de agora é mais fácil perceber os erros que não se quer repetir. Mudá-los abre a porta para que o futuro não mimetize o presente, para que o passado seja plástico e maleável à memória e que o presente não seja mais de grego.

     Em um sonho em que era possível prever seu passado, já não se tinha saudades do futuro; um sonho que não era mais preciso sonhar a realidade que se deseja...





terça-feira, 29 de março de 2011








"A essência é uma conjuntura da existência"









terça-feira, 22 de março de 2011









Eu não sou rancoroso, meu grande defeito é ter boa memória.











quinta-feira, 17 de março de 2011





Vende-se este blog

O mundo precisa de poesia
e eu preciso de dinheiro


Vende-se este blog




sábado, 12 de março de 2011

          




-Nada é tão ruim que não possa piorar- dizia o pessimista.
-Não é porque as coisas não estão ótimas que elas não estão boas- dizia o otimista.
O realista, na esquina do silêncio com o não-dito, ratificava com a experiência a máxima de que o otimista nunca tem uma surpresa agradável.

















Ps- E como dizia a Vida (parte dois):  "A expectativa é o primeiro passo para a frustração".








sexta-feira, 4 de março de 2011











"...à evolução da liberdade até o dia clarear..."





















sábado, 19 de fevereiro de 2011

     Recordo-me que às vezes os caminhos certos surgirão  com a porta trancada, sem chave ou segredo que remedeie. Um rota alternativa ou um caminho paralelo na esperança de que o infinito não seja tão distante e que os versos de estrofes paralelas possam mais uma vez rimar.   
     Acordados ou não, os sonhadores seguirão sonhando por lhes ser inerente o sonhar. Mesmo que o único acordo seja o silêncio, como se este com a distância pudesse sepultar a saudade.
     Querer o impossível, como se os sonhos fossem paliativos para as impossibilidades. As regras gramaticais são por demais rígidas para a poesia, por isso a Vida e há vidas que demandam licenças poéticas para sobreviver. Há partes da vida que só se vive nas entrelinhas e só quem ouve as estrelinhas é capaz de vivê-las.
     Uma só palavra, quem sabe a palavra certa, a palavra de ordem, a palavra da salvação...o sim incondicional, uma vez que alguns quereres não têm condições, não têm resposta, não têm explicação, não têm porquê.
     Lembrar só é possível às coisas e pessoas esquecidas ou a esquecer.(Eu sempre lembro daquilo que eu quero esquecer). Há dias que não cabem nas “lembrancinhas” porque alguns versos da história são inesquecíveis.