quinta-feira, 12 de março de 2009



Você como uma canção em tom maior

Em meus dias

Toque com suas cores

A sua mais bela melodia

(de si mesma e por si mesma)

Serás minha paz

Serás (por) minha vida



 

 

Meu pensamento ao seu lado

E minha boca em seus lábios

Venha e prova de si

Tocando em mim

Cada gesto, palavra, som, sim

 



És verso de minha estrofe

Sou acorde de tua harmonia

És ritmo para meus passos

És o destino de meus dias

 



Ousa e vai além

Prova de mim

Que se reconhece em ti

Deixa teus pedaços

Se prenderem  em nossos laços

Deixa teu corpo ser

Abrigo pros meus lábios

 



Mata essa saudade

Mas não me mate de saudades

Deixa acontecer

          Nos deixa sermos 

                      um só segundo

é suficiente para a eternidade





quinta-feira, 5 de março de 2009



 

 

Da pergunta que não quer calar

À resposta que vem a calhar

Eu não sei dizer não

Mesmo que me custe

Um novo teto à cada noite

E o mesmo sonho (por) todos os dias

 



Eu que me canso de ser eu mesmo

Que me fadigo com minha existência

Quando não há muito

(nem me resta ser pouco)

Insistia em desistir

E como se minha força estivesse

Além de minha vontade

Esta que por si só subverte as lógicas do acaso

Assim não me sendo possível falhar

 



Eu sou além do que um dia quis ser

E ainda estou aquém daquilo que posso vir

A ser

A reinvenção de meu passado

E uma atualização (presente) de meu futuro

Mas, me afasto de mim mesmo

dois passos à frente e um para trás

(só  para apagar meus rastros)

Como se isso (tudo) me concedesse algum abrigo

 



 

P s- O quanto da gente se perde em uma lágrima?



domingo, 15 de fevereiro de 2009



Não que aqui haja muito

Haja vista, há mais coisas ditas no silêncio que nas palavras

Do tédio se concebe personagens

Alentados pela solidão

Com pitadas de narcisismo mal resolvido

Não que os personagens sejam auto-biográficos

Criar um personagem para falar de si mesmo

Seria como masturbar-se pensando em si mesmo

Mas aqui são apenas texto

Sem cores, sem música

A beleza está nos olhos de quem lê

 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009



Eu juro que ia te mandar um recado cheio de uma pluralidade semântica que até eu ficaria envolvido com a multiplicidade de sentidos das palavras aqui colocadas.
Eu juro que ia escrever o verso mais bonito numa tentativa de que as palavras fizessem o que eu não sei fazer.
Eu juro que ia bancar o herói e dizer o que precisava ser dito na hora certa.
Eu juro que ia desinventar o errado e patentear o caminho certo.
Eu juro que ia ser claro e direto e não dar voltas ao redor de mim para chegar até você, o que seria em vão, porque o meu destino independe do caminho que sigo.

Eu juro que ia demandar sua presença  como quem deseja a mesma pessoa todo dia.

Eu juro que ia dar o próximo passo e seguir pelo caminho certo, o que é  indiferente, se por onde vão meus passos, se até mesmo o ato de me perder é só mais um caminho para chegar até você.

Eu juro que ia fazer isso acontecer todo dia...

 

 



 

Mas juramentos precisam de testemunhas, como alguns crimes precisam de cúmplices...



terça-feira, 27 de janeiro de 2009



Do meu lado

E agora em mim

As incursões que você fez

Em meus dias

Pra minha vida

Que (es)corre até você

 

 

O que estava só de passagem

Mas fi(n)cou em mim

Dos olhos para a alma

Da alma para a vida

 

Ser inteiro, ser pleno

E ser teu

 

Você que transforma

Meus verbos em ação

Você que se faz melodia

Para minha canção

 

O meu abrigo na sua dúvida

Me fiz refém das suas respostas

Você que via o impossível

Em cada forma de tentar

Mas há dias em que é impossível

Quase não se apaixonar



quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Se


SE (Versão II)

R.Veras/ Hilário Ferreira

 

  

Seria tão mais fácil se você tivesse dito sim

Seria tão mais fácil dar meus passos nesse turbilhão

Seria tão mais fácil bem mais fácil mesmo para mim

Ouvir, tocar, seguir as demandas do meu coração   

 

 

Porque você tinha a chave, você tinha achado

você...

(...dizei uma só palavra e serei...)

Porque você tinha a frase, você tinha achado

O porquê...

 

Você tinha a chave

você tinha a frase

o onde, o quando

e o porquê...

 

Porque você tinha a chave, você  era a chave,

Você...

 

  

Seria como entrar pela porta da frente

Não ter que subir o telhado

Seria ir dormir como toda a gente

 Deixar as madrugadas de lado  

Seria como um rio seguindo a corrente   

Não esse lago emaranhado

 Seria viajar Peter Pan & Wendy

Poupar-me um quarto dilacerado 

 

Seria bem mais fácil se minha sorte me dissesse sim

Os mesmos personagens

E(m) outra história

Com final feliz

Seria o mesmo sonho

(com) outros passos

e nova direção

Ouvir e tentar (im)pedir

O silêncio desse coração

 

 

E se a segunda chance
tivesse todo mundo?
De quando em quando, de lance em lance,
ou por mais de um segundo
eu pudesse acertar
se ao invés de dormir
eu pudesse sonhar?
Se no lugar de partir
a gente pudesse ficar...

 

Olhai os lírios do campo

Nada é o que parece ser

(olhai os livros no canto

Eu só percebo o que eu quero ver)

 

 

Meu veríssimo amor                 

Desdobrado em pedaços



Ps- Música da banda Deveras. Se daqui me faço um caderno (d)e rascunhos, eis que mais uma página saiu da gaveta.

 

domingo, 18 de janeiro de 2009

Menos para mim é mais...



     Menos para mim é mais. Eu sei que pode soar como discurso que se coloca fazendo apologia à mediocridade, mas não. Mesmo que seja, não mudarei minha fala por receio em parecer ridículo.

     Falo que menos para mim é mais, quando afirmo o quanto não preciso pactuar com muitos dos imperativos que tentam coagir muitos dos nossos dias. Não cabe aqui ( e eu não quero e não vou caber) em um amor para toda a vida. Não precisa ser eterno se ele conseguir ser intenso e sincero. Eu não quero um amor para a eternidade. Se algum livro que eu não li assim o disse e eu pareci ter assinado embaixo, equívoco de quem por ventura acho que assim me viu. Não quero um amor eterno, menos! Para mim, basta que seja terno , simples, sincero e leve. Não quero um amor para toda a vida, quero o amor para toda a vida. Sem precisar de testemunhas para selar união, menos! Para o amor que almejo só é preciso mais um cúmplice.

     Quando sigo dizendo que menos para mim é mais, é quando digo que não preciso de um rodízio para me sentir saciado. Uma boa refeição não é quando como o máximo que posso ou quando como o mínimo de calorias possível. Eu não sou escravo do meu corpo, se há algum credor que seja o meu desejo e deixemos que o meus desejos desejo eu!

     Não se trata de repressão, mas sim uma outra forma de expressão. Uma forma singular de expressar coisas plurais. É sentir  se bem por estar aqui. Sem lamentar por estar aquém ou por não estar além. Nem antes e nem depois, apenas agora. E isso já me é tanta coisa...

     Menos é mais quando abdico do referencial estético exterior, alheio e coercitivo pré-fabricado pelos meios que não chegam aos meus fins. Eu me apaixono pela garota da contra-capa! Não é o que me disseram ser belo, é o que meus olhos me dizem ser belo e o que meu coração concorda. Sinceramente, eu costumo dar novos sentidos aos  meus sentidos. Eu  sinto o gosto de sons, eu cheiro cores, eu vejo vozes... Minhas descrições são impossíveis de acordarem com alguma verossimilhança. É preciso que alguém veja por meus olhos para entender o que quero dizer quando falo que determinada cor é vermelha. São tantas cores que emitem tantos sons e cheiros que dizer que é colorido é pouco, só sei que não é (mais) monocromático.

     Menos para mim é mais por não caber em meus dias a idéia de que a embalagem define a escolha do produto. Eu não cometeria o mesmo erro duas vezes, na hipótese de comprar um produto sem a qualidade almejada, mas com uma embalagem convincente. Não há aqui a hipocrisia de negar que a beleza não se constitui como um dos fundamentos. Indubitavelmente, é! No entanto, as pessoas mais belas que conheci reinventaram, expandiram, resignificaram o campo semântico da palavra belo. Encontraram tantas outras formas de se fazerem bonitas que até o espelho reconsidera o que vai refletir por encontrar tantas faces de tantas belezas em mais um rosto belo. Há ainda a margem para possibilidade de quem faça apologia de que a beleza física é o que chama atenção no primeiro instante. Pode até ser preponderante para chamar os primeiros olhares de uma atenção perdida, mas não é determinante para prendê-la ou apreendê-la. Essa beleza (física) pode até ser párea para manter uma relação, mas tenho minhas dúvidas se ela por si só mantêm um relacionamento.

     Menos para mim é mais quando chega a um ponto que cansa, um ponto na vida em que não preciso estar sorrindo para estar feliz, em que minha alegria não precisa ser gritada para ser gritante. Menos para mim é mais, sou preto no branco, café com leite e feijão com arroz.

 

 

 



P S- Sountrack: Jeff Buckley 



quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Os dias como um improviso da noite



Que as paixões inflamem

Queimem de uma vez

E nunca se permita apagar aos poucos

O mais intenso como ponto de partida

Para as criaturas da criação

 



 

Quero (me) escrever (n)o que é belo

Aos seus olhos

Quero ser matéria-prima

Dos seus sorrisos

 


Os versos valem mais do que o poeta

De ações que mimetisam seus sentimentos



 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Lista de desejos 2



 

     Ele vinha com o mesmo sorriso de outrora, escondia de si uma dor que todos sabiam de cor, mas levava, desta vez com leveza, os dias de agora. Já não tinha mais nada a perder, logo, já não tinha dívidas. Sem credo, credores, dúvidas por demais e afirmações por menos. Era uma fotografia de si apagando as sombras e os passos em falso do passado. Apontava para o futuro, mas residia no presente. Esquecia o próprio nome e queria ser lembrado por sua presença, uma estátua de ar de quem tentava beirar o incapturável.

     Poucas demandas, apenas exigia que as coisas fossem o que fossem. Nem mais do que poderiam ser e nem menos do que já eram, sem a pretensão de causar o encanto ou o receio do desprezo, apenas ser em primeiro plano e pensar como conseqüência das ações e não o contrário. Sentir o mundo ao invés de observá-lo e até mesmo vivê-lo abdicando de guardá-lo em caixinhas que muitos rotularam como fotografia e vídeo.

     Um ano que acabava, um ciclo que se fecha em um calendário que não (de)marca seu tempo. Os pontos finais que escrevia hoje refletiam as páginas em branco que foram imprescindíveis para que continuasse seu livro. Catalogou erros e só insistiu no que estaria para além do bem e do mal, mas dessa vez sabia que o não e o sim eram a mesma resposta.

     Ainda tinha uma grande lista de desejos, mas todos demandavam cúmplices e uma vez sozinho, estaria no máximo na esfera do inviável. Ninguém os via, desconfiavam, mas ainda assim não os percebiam. Não eram desejos secretos, estavam lá, mas de tão transparentes, ninguém (n)os via...






 


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Lista de desejos 1


     Posando de diferente ou de intelectual acho que todo mundo acaba fazendo isso de vez em quando o tempo todo. Eu, enquanto pessoa reconhecida, pessoa reconhecida de meus limites, reconhecida de minhas posses e de quase nenhuma possessividade, acabo cedendo diante dos limites alheios por considerar isso uma superação dos meus próprios limites. Hoje sou praticante da intolerância, mesmo que um dia já tenha, por intolerância com a estagnação, em um passado remoto, decidido exercitar minha tolerância com o que aos meus olhos soaria absurdo. Obviamente, como se fosse algo inerente à nossa espécie, acabei abdicando de mim por outrem que sempre me foi e me será alheio. Se tivesse alguma moral na minha história, sem dúvida ela estaria convergindo para o ponto em que percebo a magnitude desse equívoco. Não aspiro à nobreza ou mesmo a um latifúndio no céu, viver contempla quaisquer demandas de quem abdica da idéia de ser um animal de rebanho. Ratifico meus passos na escuridão, porque já não sou homem de estar sob a penumbra e não me apetece os holofotes ou o lugar ao som disputado por tantos. Ando só, ando e só. Nem há mais, nem há menos, sem espaço para mais ou menos. Apenas sou, ou mesmo, quando muito estou. Não carrego a pretensão de ser o melhor ou a culpa por não o sê-lo. Acordo cada dia mais leve, sem peso ou pesar que me prenda. Dívidas e dúvidas? Passado é memória e o futuro só acontece daqui a um segundo...

 

     Indo ao quem vim, ratifico a proposta deste espaço em dar sentido e espaços para o que pode ser dito em entrelinhas. Um caderno secreto guardado em cima da mesa, de tão exposto ninguém percebe e por aqui se jogam palavras amontoadas que me denunciam em fragmentos de personagens que invento quando canso de brincar sozinho. Coincidentemente, escrevo aqui ao som de “wish list” do Pearl Jam o que poderia soar como carta de natal se essa música pudesse ser por um instante uma canção natalina. O meu intuito, uma vez que me rendi ao encanto do Natal, era enumerar por mera despretensão as coisas que poderiam conter em uma lista de desejos que não precisaria no Natal para acontecer...

 


“Eu queria ser o souvenir sobre o qual você guarda
a chave da casa.
Eu queria ser o pedal do freio do qual
você dependesse.
Eu queria ser o verbo "confiar" e
nunca te decepcionar.

Eu queria ser uma canção de rádio, a única
Que você sintonizou....
Eu queria, eu queria, eu queria,
eu queria... (eu acho que isso nunca acaba.)”



 

segunda-feira, 17 de novembro de 2008


Dizem que personagens são as representações de um coração que se (de)bate sozinho...

 


Ontem à noite uma canção me lembrou você. Tava tocando com uns amigos e ela apareceu e trouxe junto um filme com um monte de histórias e um monte de crônicas inviabilizadas pelo tempo... mas foi uma recordação boa e terna, como se algo nobre me assaltasse por um instante, me elevando por alguns segundos para que eu não me afogasse...

 

 


 

Não podemos ler o que nos toca?


Então, será que poderemos tocar o que lemos?


 

Sem festival, apenas atividades de cunho acadêmico. Essa é minha alcova, sem correntes ou grades, aqui pareço (e padeço) estar de bom grado.


Amigos que eu não conhecia estão em minha casa, algumas pessoas chamam isso de intercâmbio.

 


 

Dentre outras coisas, eu começo a olhar sério para as coisas e para o tempo. (Comprei até um relógio para ver o quanto eu estou atrasado.) Eu descobri onde alguns dos meus medos se escondem, não sei quais são, mas sei onde se escondem... Hoje decido que não tenho mais medo dos meus medos e desafio a verdade a ser mais sincera que essas palavras... Eu tenho um livro de páginas em branco e algumas palavras só existem na primeira pessoa do plural...


Saudade é, talvez seja, a primeira delas...



terça-feira, 21 de outubro de 2008



Os espíritos livres aprenderam a voar

Já não tocam mais o chão

Não estão mais

bem

Já deixaram de estar mal

Nem mesmo estão para os olhares

A esmo monocromáticos

São o futuro das vanguardas?

Ou apenas mais uma

tempestade

Intempestiva?

O verso já existia

Antes do papel e da caneta

O sentimento é anterior

Ao coração

A música que vinha antes do som

Do encontro que aconteceu antes dessas vidas

domingo, 12 de outubro de 2008



Tão frágil e belo

Quanto a vida

Incerto e vago

Como um sim em silêncio

Constrói teus dias

Na companhia de si mesmo

Verso sem estrofe

Dívidas sem credor

Dúvidas sem resposta

Vítimas sem algozes


 

A vida tem cheiro de outubro

Depois de um ano chego à primeira página

De um livro

Até a morte tem vida útil

Páginas em branco

À meia luz


 

Esperança é o que faz do amanhã

O nosso único presente

Que o essencial chegue à superfície

Levando em conta

O contexto dessas imagens

E a textura dessas palavras

A cor do amor

O cheiro do silêncio

Os sons do escuro


 

Às vezes as noites têm

O cheiro do amanhã

A beleza que reside em seu olhar

As minhas frases sem sentido

E com destino

 

 

As cores têm o cheiro de manhã

Os dias (ainda) têm o gosto

Dos seus lábios

A vida conjuga os verbos

E nós nos escrevemos no plural


 

Das cores de nossas músicas

Pintamos esses versos

Sou metade de você

Que vai tomando parte e partido de mim


 

(Eu tenho um violão

E você as canções)

Eu sou verso

Você melodia

Eu sou suas cores

Você,

Meus dias...



domingo, 24 de agosto de 2008

O dia despe a noite
de todas as estrelas
de todas as maneiras
o que há de mais oculto
se revela
quando dormem os últimos raios de sol...



A epifania
o sentido para o adjetivo feliz
um eclipse reverso


me empresta um beijo
deixa eu ser uma página do seu diário
fotografa um sonho
respira meu ar
me dá um capítulo do seu livro
nos seus braços, abrigo
me faz amante, amor, amigo...

Escreve rosas
envia pra mim
os desenhos dos versos
dos poemas sem fim

Sente o cheiro do primeiro
raio
despindo a noite
invadindo-a aos poucos
para conceber o dia


O acaso escreve o roteiro
nós dirigimos os personagens
Essa canção fotografa
o que não é dito por inteiro
o que se conta nas entrelinhas,
à margem,
do domínio de qualquer palavra

Vem ser verso em meus dias
me deixa
ser poesia
em tua vida





E se a segunda chance
tivesse todo mundo?
De quando em quando, de lance em lance,
ou por mais de um segundo
eu pudesse acertar
se ao invés de dormir
eu pudesse sonhar?
Se no lugar de partir
a gente pudesse ficar...


quarta-feira, 30 de julho de 2008

E se todo (o) mundo
Tivesse uma segunda chance?
Se de quando em quando
Ou por mais de um segundo
a gente só pudesse acertar?
Se à meia-noite tivesse sol e
Se ao invés de dormir
eu pudesse sonhar?




(Se) por todas as noites
de todos os dias




Se todo dente tivesse uma fada
(se toda dor não fosse um fardo)
Se as estrelas cadentes soubessem voar
Se toda viagem fosse rumo ao nada
Se todo verbo pudesse amar...
As canções que eu guardei
O que escondia dos seus olhos
Mas transparecia nos meus



Nas canções em que me resguardei
Do que temia
Os sentidos
Que se confundiam ao sentir



Que tudo não é o bastante
Quando tudo que eu fizer
Já não me levar à nada
(ou à você)




Quando eu me fizer presença
Na sua ausência
Encontrarei abrigo
Dos corações vazios
Serei o mais próximo
E até amigo



Eu tenho um cataclisma
Guardado no peito
Eu tenho aquele verso
Eu toquei aquela canção



Como se perder de si mesmo?
Encontrar-se ao meio
E pelo meio do caminho
Sem castelos de pedras
E sem moinhos de vento



Todo sentido atribuído ao acaso
O alheamento de si
Por uma empatia com a vida
Fecho os olhos para mim
E abro minha alma para o mundo



Minha vida repugna as luzes
Acessas por medo do (próprio) escuro
Avessas à verdade dos fatos
Atentas à sinceridade das palavras



O pó sob os livros
(você)
Em grãos de poeira em meus dias
As luzes da sua voz
O cheiro do seu abraço
Os sons que precedem o seu suor



O que eu falo tarde demais
Para quem foi muito cedo
A voz silencia
Agora é solo
O diálogo se passa em mim
(passa por mim)
Já não há mais um futuro
Em função de um passado...

quarta-feira, 23 de julho de 2008





Por aqui sem novidades
Já chegou a saudade
E já chega de saudades




O tempo voa
Os espaço se esvoa
A vida escoa em intervalos
de uma sinfonia de silêncios




quarta-feira, 9 de julho de 2008

Dízima periódica de palavras
da divisão de duas pessoas
Ascenda suas estrelas
e fuja da nossa escuridão


Eu começo a achar que seria normal
Personagens sem papel
Na sua vida
esse espaço fora do tempo
é o que tenho
e que indo à força(à forca, à fossa...)
é natural...




A meta-poesia do cotidiano
entrada e saída são apenas perspectivas
a porta é a mesma
uma versão para a velha história
que se conta todos os dias
com a máscara mais sincera...



A brecha na porta
do coração à fenda
da chave à parte
aos pedaços
partido em dois
de cara quebrada
sem cara metade



meu grande amor
(meu grão de amor)


O amor é o dom
em doar o que não se pode dar
do que nunca se tem


Cantarei (à) você
em cada canção
Cada verso
do meu canto
Em silêncio...



terça-feira, 8 de julho de 2008


Sobre o que é tudo...




Sonhos a partir de palavras
ou
palavras a partir de sonhos?


Por aqui se tem
sonhos a (re)partir
e palavras partindo de mim
(se) jogando em conversa fora...



Palavras a partir sonhos
à parte e alheios
Alhures de mim
e algures de que(m) anseio encontrar


Em parte,
eu sonho com as palavras que escrevem o começo
(e com os sonhos que se inscrevem desde o começo)


quarta-feira, 4 de junho de 2008







Que atire a primeira pedra quem nunca tiver errado!
(Aqui não somos tolerantes com erros.)









segunda-feira, 26 de maio de 2008
























































































































ps-Página em branco para versar sobre o silêncio.

quarta-feira, 14 de maio de 2008



O que é um dia

Em meio a tantos anos?

O que é uma palavra

Em meio a tantos versos?

Dentre tantos poemas

De tantos poetas

O que é uma gota d’água

Em meio a essa tempestade?



Meu vício em minha vida viciada

Minha mania em insistir

Ou não ter forças para dar cabo

Ao que me consome para sobreviver

Como se meus sonhos fossem matéria prima

Para a realidade que eu (já) não vivo



A letra inconstante

Para a poesia de um instante

É o meu surto

Permutando meus eus

E minhas realidades

São os excessos de quem

Não se vê com mais nada

E não acha o bastante ter a si mesmo



A chuva

Uma insignificante gota d’água

Que se nega desprezível

Quando não sozinha

Do céu à sargeta

Das nuvens à lama

Esses são dias de tempestade



O que é uma vida a menos

Se essa não soma mais?

O que é uma vida

Quando se é imortal?




domingo, 11 de maio de 2008



Todos os dias

me vejo presa

em palavras soltas

“Abra os olhos e volte”

Enquanto as coisas findam

muito mais que lindas

estas ficarão



escreverei apenas às palavras esquecidas

cantarei apenas os versos mudos

entre o pouco e o quase nada

fragmentos de vida

em histórias inteiras

tramas complexas

personagens vazios

com toda a profundidade

do que só tangencia a superfície



mulheres eu vivi

enquanto criava em mim, minha reinvenção

eu me via em um poema por dia

e me fazia refém de meu desejo por liberdade

até me descobrir vazia



a essência como uma

versão da aparência

a sinestesia na relação

música e poesia

vida em versos

o colorido no silêncio

com a polifonia do escuro



a ausência deixa espaço

para mais versos

os dias sempre acabam

em reticências...

terça-feira, 6 de maio de 2008

Meta-auto-biografia




São só ranhuras

Rupturas no som

O espaço entre uma palavra

e a outra

não são as entrelinhas

a música vem no hiato

entre um verso e outro

a palavra cria espaço(s)

na música

para se fazer ouvida



O tom e a cor dessa música

Desses dias

no fortuito e inefável

caminho de volta para casa

Agora olho nos meus olhos

e vejo dos dias que quero

para toda a vida

o pedaço que falta

no vazio

de lacunas e espaços

A falta que me permite

ser inteiro

e ser pleno

domingo, 4 de maio de 2008

Do escambo ao câmbio



Quando o não é ilusão

sua leitura dos meus textos

minha leitura do seu (seu) contexto

eu digo não ao seu sim

na margem do não

à margem do sim